LÖWITH, Karl. De Hegel a Nietzsche: A ruptura revolucionária no pensamento do século XIX: Marx e Kierkegaard. Trad. de Flamarion Caldeira Ramos; Luiz Fernando Barrére Martin. São Paulo: UNESP, 2014. 458p. Roberto Kahlmeyer-Mertens Doutor em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professor Adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná/UNIOESTE, Toledo, PR – Brasil. E- mail: kahlmeyermertens@gmail.com Günter Figal começa seu livro sobre Nietzsche tecendo considerações sobre o modo com que todo intérprete se aproxima de uma obra escrita. Ele está certo quando nos diz que sempre chegamos a uma obra extrinsecamente e contando com preconceitos; também quando afirma que, antes de iniciar qualquer leitura, nutrimos esperanças que se concretizam ou se frustram. Se o propósito desse intérprete com tais comentários é indicar que Nietzsche é um filósofo cuja apropriação é sempre matizada por posições, visões e conceptualidade prévias, de nossa parte o fito é ressaltar que algumas das melhores expectativas que se pode cultivar a respeito de uma obra de filosofia se realizam quando o livro em questão é: De Hegel a Nietzsche: A ruptura revolucionária no pensamento do século XIX: Marx e Kierkegaard, de Karl Löwith (1897-1973). Como o longo título nos permite entrever, a obra em apreço não versa apenas sobre Nietzsche. Nela, seu autor faz um apanhado daquilo que constitui o núcleo da filosofia e da história intelectual alemã nos anos de 1800. Assim, Goethe, Hegel e os que na esteira destes se ocuparam de pensar a realidade burguesa, e o impulso que essa representou ao pensamento Ocidental, estão contemplados no livro. Deste modo, desde os primeiros capítulos, Schelling, Feuerbach, Ruge, Marx, Stirner, Bauer e Kierkegaard estão presentes; também Cortés, Proudhon, Tocqueville e Sorel comparecem a seus desdobramentos. Este dado, mais do que erudição, denota a abrangência da obra e a formação sui generis de seu autor. Nasceu Löwith em Munique, tendo lá recebido ampla educação humanística. Durante os anos de 1919-1928 esteve vinculado à escola da fenomenologia (como Eugen Fink, seu contemporâneo e também intérprete de Nietzsche), nesta estudou e conviveu com Edmund Husserl e Martin Heidegger. Por força da perseguição nazista aos de ascendência judaica, Löwith emigrou para o Japão em 1934, onde lecionou na Universidade Imperial, depois para os Estados Unidos, lugar em que deu aulas para outras instituições de ensino