https://doi.org/10.47456/sofia.v11i2.39493 SOFIA (ISSN 2317-2339), VITÓRIA (ES), V.11, N.2, P. 01-22, NOV/2022 Maquiavel hoje * Machiavelli today Eric Weil Tradutor: Judikael Branco Universidade Federal do Tocantins – UFT E-mail: judikael79@hotmail.com APRESENTAÇÃO DO TRADUTOR “Machiavel aujourd’hui” foi publicado originalmente em 1951, na prestigiosa revista Critique, e retomado pelo autor em 1970, no segundo tomo de Essais et conférences, dedicado aos seus escritos sobre política. Trata-se de um belíssimo exemplo das contribuições de Weil ao periódico fundado por Georges Bataille. Com efeito, a colaboração do filósofo nessa revista chama atenção pelo volume, mais de 150 textos entre 1946 e 1971, mas principalmente pelo estilo de “recensão múltipla”, sigla original da Critique, que Weil tornou um novo gênero crítico-literário, na opinião de Giuseppe Bevilacqua e de Livio Sichirollo. No texto que agora apresentamos, o autor repassa obras sobre Maquiavel publicadas ou reeditadas entre 1945 e 1949, para refletir acerca do revigorado interesse pelo secretário florentino depois da Segunda Guerra, analisando, com particular e justificada atenção, os livros de Leonhard von Muralt e Gerhard Ritter. Corrigindo um pelo outro, apontando erros e acertos em ambos, Eric Weil expõe a própria interpretação do pensamento de Maquiavel, afirmando, resumidamente, que este não é maquiavélico de fato. Se hoje, ao menos no meio acadêmico, essa tese se assemelha a uma verdade lapalissada, não o era no início da década de 1950. Trazer o artigo de Weil para o leitor de língua portuguesa é um esforço animado pela certeza de que, apesar das grandes mudanças provocadas pelos trabalhos de Claude Lefort, John Pocock e Quentin Skinner na interpretação da obra maquiaveliana, a reflexão weiliana pode participar positivamente do aprofundamento das já muito ricas pesquisas sobre Maquiavel no Brasil. * E. Weil, “Machiavel aujouord’hui”. In: Essais et conférences 2. Paris: Vrin, 1991, p. 189-217. O tradutor agradece ao Professor Patrice Canivez, Diretor do Instituto Eric Weil, da Université de Lille, a autorização para publicar esta tradução, bem como ao Professor Marcelo Perine (PUCSP) pela generosa revisão.