Recuperar a capacidade de investimento da economia brasileira para garantir o desenvolvimento Resume the investment capacity of the economy to guarantee the development ANTÔNIO CORRÊA DE LACERDA* RESUMO: A gradual abertura da economia brasileira com a consequente maior exposição ao mercado internacional, a revisão do papel do Estado, assim como o processo de desregu- lamentação exigem uma nova postura em face desses aspectos. A necessidade de propiciar as condições mínimas necessárias para a recuperação dos investimentos na economia brasi- leira se mostra crucial num cenário de modernização e competitividade. Isso exige a combi- nação de políticas macroeconômicas que incentivem esse processo assim como a ação indi- vidual dos agentes no sentido da busca de melhora do padrão de qualidade e produtividade. PALAVRAS-CHAVE: Taxa de investimento; crescimento econômico. ABSTRACT: The gradual opening of the Brazilian economy with the consequent greater exposure to the international market, the review of the role of the State, as well as the deregulation process require a new stance in face of these aspects. The need to provide the minimum conditions necessary for the recovery of investments in the Brazilian economy is crucial in a scenario of modernization and competitiveness. This requires the combination of macroeconomic policies that encourage this process as well as the individual action of the agents in the sense of seeking to improve the standard of quality and productivity. KEYWORDS: Investment rate; economic growth. JEL Classifcation: E22; O40. Uma das consequências mais evidentes do quadro de instabilidade macroeco- nômica presente na economia brasileira nos últimos anos é a substancial queda observada nas taxas de investimento agregado. A preços de 1980, a participação dos investimentos no PIB, medida pela For- mação Bruta de Capital Fixo, caiu da média de 23,3% nos anos 70, para 17,6% nos anos 80. Em 1990 e 1991, houve nova queda, para o patamar de 16%, e os resultados preliminares de 1992 mostram que essa taxa dificilmente superará os 15%, significando o nível mais baixo dos últimos anos (Gráfico 1). * Do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. – PUC-SP, São Paulo/SP, Brasil. Revista de Economia Política, vol. 14, nº 1 (53), pp. 149-151, janeiro-março/1994 149 http://dx.doi.org/10.1590/0101-31571994-0718 Revista de Economia Política 14 (1), 1994