Curitiba, Vol. 11, nº 20/21, jan.-dez. 2023 ISSN: 2318-1028 REVISTA VERSALETE GONÇALVES, R. T.. Metamorfose como tradução... 178 METAMORFOSE COMO TRADUÇÃO ESPECULATIVA METAMORPHOSIS AS SPECULATIVE TRANSLATION Rodrigo Tadeu Gonçalves 1 “Metamorfoses são coisas muito engraçadas.” Paulo Leminski I Há muitas formas de abordar a questão da tradução e sua persistência num modelo eurocêntrico fundamentado na noção de identidade, fidelidade, equivalência, e sua dissolução recente em novos moldes via desconstrução, feminismo, pós-colonialismo, mas aqui eu gostaria de retroceder a certos paradigmas, alguns bastante tradicionais, outros nem tanto, e em diversos casos anteriores à consolidação dos modelos vigentes, com sua aura de atemporalidade/atopia e caracterização aristotélica quase autoevidente. Primeiro, embora tacitamente aceita, esboço aqui essa posição que chamo de vigente 2 . Segundo essa visão, a tradução consiste na transmissão de um determinado conteúdo de uma língua para outra, de um sentido imaterial através de meios materiais distintos, a língua de partida e a língua de chegada. A esse processo, que chamamos de 1 UFPR, CNPq. 2 Fiz um esboço ainda mais esquemático de questões que aparecem aqui no artigo curto para o jornal “Cândido” em Gonçalves (2019).