45 Perfl de hipertensos cadastrados no programa Hiperdia de uma unidade básica de saúde Fabiana Meneghetti Dallacosta * Hotone Dallacosta ** Alessandra Daros Nunes *** Resumo Este trabalho objetivou analisar o controle da pressão arterial, fatores de risco, complicações e medicamentos utilizados em uma população cadastrada no Hiperdia em Luzerna, SC. Trata-se de um estudo transversal, no qual se utilizou o risco relativo e razão de chance como medidas estatísticas para relacionar hipertensão e fatores de risco. Há 328 pessoas cadastradas no Hiperdia nesse município, 67% do sexo feminino, 32,9% têm entre 51 e 60 anos, 70% moram com companheiro(a), 96,9% são hipertensos e 14%, diabéticos. Mais de 60% têm sobrepeso ou obesidade, 6,7% são fumantes, 57,3% sedentários e 59,7% têm antecedentes familiares; 95,4% nunca tiveram complicações associadas à doença. Obesidade e sedentarismo foram comprovados esta- tisticamente como fator de risco para a hipertensão arterial, o que não ocorreu com tabagismo e antecedentes familiares. Nessa população, a chance de uma pessoa com sobrepeso desenvolver hipertensão é 3,18 vezes maior comparado a uma pessoa de peso normal, e a chance de uma pessoa sedentária desenvolver hiperten- são é 1,84 maior comparado a uma pessoa não sedentária. Palavras-chave: Hipertensão. Hiperdia. Fatores de risco. 1 INTRODUÇÃO A hipertensão arterial é um grave problema de saúde pública e uma das doenças crônicas responsáveis por expressivas taxas de internação, custos elevados com a morbimortalidade associada à doença e compro- metimento da qualidade de vida para os portadores. Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2009), hipertensão arterial é quando a pressão que o sangue faz na parede das artérias para se movimentar é muito forte, resultando em um valor igual ou maior que 140/90mmHg (BRASIL, 2009). Existem dois tipos de hipertensão arterial: a primária, que se caracteriza por não haver uma causa co- nhecida, e a secundária, na qual é possível identifcar uma causa para a hipertensão, por exemplo, tumores (feocromocitoma), problemas renais, problemas na artéria aorta e algumas doenças endócrinas. Estima-se que 95% das pessoas tenham a forma primária e apenas 5%, a forma secundária (BUSATO, 2009). Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2009), é a doença crônica degenerativa mais comum e com maior chance de desenvolver complicações, como Acidente Vascular Cerebral, Infarto do Miocárdio e Insufciência Cardíaca. * Mestre em Saúde Coletiva; Especialista em UTI; professora do Curso de Enfermagem da Universidade do Oeste de Santa Cata- rina Campus de Joaçaba; hemoserjba@yahoo.com.br ** Médico nefrologista; Especialista em Promoção da Saúde; professor do Curso de Medicina da Universidade do Oeste de Santa Catarina Campus de Joaçaba; hdallacosta@yahoo.com.br *** Mestre em Saúde Coletiva; Especialista em formação Profssional para a Área da Saúde: Enfermagem; Especialista em Metodo- logia do Ensino; alesdaros@yahoo.com.br Unoesc & Ciência – ACBS, Joaçaba, v. 1, n. 1, p. 45-52, jan./jun. 2010