1 Mortalidade em idosos: desenvolvimento e aplicação de uma metodologia para a recuperação da informação sobre a causa básica* 1 Angela Maria Cascão (1 ) e Pauline Lorena Kale (2) Introdução: Os idosos constituem o segmento populacional que concentra a maior parcela dos óbitos da população e também a maior proporção de causas de morte mal definidas. Objetivo: Desenvolver uma metodologia de recuperação de causas de morte naturais mal definidas em idosos (³60 anos) a partir do relacionamento das bases de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS) e avaliar a sua efetividade na qualificação da certificação de causa básica de morte. Métodos: As fontes de dados foram o SIM e o SIH para, respectivamente, óbitos e internações ocorridos no Estado do Rio de Janeiro, 2006. Foram analisados os pares concordantes de causas naturais (capítulo da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID10a Revisão) definidas segundo causa básica (CB) e diagnóstico principal (DP) da internação. O grau de concordância percentual foi classificado considerando-se os seguintes intervalos: < 25% = ruim; 25% - 49% = regular; 50% - 74% = bom e ≥ 75% = muito bom. Resultados: Foram selecionados 15.807 óbitos de idosos cuja morte ocorreu durante a internação em hospitais do SUS. Houve diferença estaticamente significante (p valor<0,001) entre as médias de idade segundo sexo (mulheres: 77,2 e homens: 74,1 anos). Os quatro primeiros postos de maior freqüência de CB foram doenças do aparelho circulatório (DAC:34,6%), neoplasias (NEO:18,4%), doenças do aparelho respiratório (DAR:15,3%) e doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (DENM:10,5%) e de DP: DAC (29,7%), DAR (22,0%), NEO (10,3%) e doenças infecciosas e parasitárias (DIP:9,9%). O total de concordância foi cerca de 48%. A concordância entre as principais CB e DP foi considerada boa para DAC (60,7%), DAR (55,2%), NEO (51,3%) e regular para DENM (26,8%). Dentre as internações com diagnóstico principal DIP, cerca de 19% e 18% tiveram como a causa básica DAR e DAC, respectivamente. Apenas 4,8% dos óbitos por CB mal definidas não tiveram um diagnóstico de internação em outro capítulo da CID. Conclusões: Com a aplicação da metodologia simples proposta, é possível melhorar a informação sobre mortalidade a partir do diagnóstico principal de internação. Padrões de concordância segundo a localização de sua informação (partes I ou II do atestado médico) e o tipo de diagnóstico (principal ou secundário) deverão ser investigados visando maior acurácia do método e confiabilidade das estatísticas de mortalidade visando subsidiar ações de saúde específicas para o idoso e para a população em geral. RESUMO Palavras-chave: mortalidade; internação; causa de morte; diagnóstico principal; diagnóstico secundário. 1 *Trabalho apresentado no XVIII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Águas de Lindóia/SP – Brasil, de 19 a 23 de novembro de 2012. (1) Doutoranda Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC/UFRJ) e Servidora da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ). (2) Professora Associada de Epidemiologia do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC/UFRJ)