Resumo O tema design de experiências surge a partir do reconheci- mento de uma era pós-industrial, na qual a centralidade do desenvolvimento econômico passa dos produtos para os serviços. Devido à natureza intangível e interacional dos ser- viços, a compreensão da experiência do consumidor passa a ser essencial. Além disso, o designer passa a questionar seu papel no projeto dessa interação e busca interferir no contex- to em que a experiência ocorre, visando a satisfação do usuá- rio. O artigo, por meio de uma pesquisa bibliográfica, explora as críticas a respeito desse conceito e alguns caminhos para o desenvolvimento da área. O resultado permite afirmar que é necessário ao designer ampliar sua visão de projeto e, a partir de uma visão sistêmica, projetar as interações dos usuários com o contexto. Palavras-chave: design de experiências, epistemologia, de- sign e emoção. Abstract The Experience Design subject arises from the recognition of the post-industrial age, in which services become central to economic development. Due to the intangible and interactional nature of services, the comprehension of the user’s experience becomes essential. Furthermore, designers begin to question their own role in the interactional context, trying to satisfy the user. Based on background research, this paper explores Experience Design critical reviews and some thoughts about the development of this field. The result indicates that the designer should broaden his project view, and from a systemic perspective, design the users’ interactions with the context. Key words: experience design, design epistemology, design and emotion. Strategic Design Research Journal, 2(1):37-44 janeiro-junho 2009 ©2009 by Unisinos – doi: 10.4013/sdrj.2009.21.05 Reflexões sobre o conceito de design de experiências Reflections upon the experience design concept Karine Freire kmfreire@gmail.com Doutoranda em Design pela PUC-RJ. Rua Marques de São Vicente, 225, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Introdução O design, desde seus primórdios, esteve vinculado ao sistema de produção industrial. No entanto, na me- dida em que esse sistema passou por transformações, ao decorrer do século XX, surgiu uma discussão sobre o escopo da atividade para dar conta da realidade pós-in- dustrial, fundamentada na economia dos serviços. A pós- modernidade trouxe questionamentos para a atividade do designer. As certezas da era modernista (como a dis- tinção das atividades de designer gráfico e de produto) passam a ter cada vez menos relevância, diante das trans- formações provocadas pelo avanço da tecnologia com- putacional. Cardoso (2004) sugere que o atual momento histórico oferece uma grande oportunidade para que os designers apresentem projetos de futuro e lancem novas bases para o exercício da profissão no século XXI. Este artigo busca seguir os caminhos que o design pós-industrial trilhou no final do século XX, para estabele- cer novas bases para a profissão no século XXI. Identificou- se, recentemente, que tanto as empresas quanto a acade- mia perceberam um potencial para uma nova abordagem à prática do design, que vai além do projeto de artefa- tos. Nessa perspectiva o design estende sua atuação para as experiências que os consumidores têm com os produ- tos, com os serviços, com os espaços ou com um conjunto destes. E, principalmente, o design é visto como uma ativi- dade usada para projetar os processos e os sistemas que fundamentam essas experiências, desde as estratégias e as filosofias do projeto até os detalhes finais dos resulta- dos (Moritz, 2005). Assim, o design está envolvido na com- preensão do cliente e do contexto de produção e assegura que a experiência total com os produtos, serviços e espa- ços seja economicamente viável e tecnicamente possível. Nessa transformação, o papel do usuário (e de suas necessidades) no processo de design foi modificado. Pas- sou de uma total indiferença a uma especulação de quais são as suas necessidades, a uma simulação de seu papel, e finalmente, à inclusão do usuário no processo de design (chamado design centrado no usuário). Ao considerar a centralidade da compreensão da ex- periência do usuário para o desenvolvimento de projetos