Cachapuz, A. F.; Shigunov Neto, A.; Fortunato, I. (org.). Formação inicial e continuada de professores de ciências: o que se pesquisa no Brasil, Portugal e Espanha. São Paulo: Edições Hipótese, 2018. - - - - - 235 Capítulo XI FORMAÇÃO CONTÍNUA DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS, EM PORTUGAL: DESAFIOS E FORMAS DE OS SUPERAR Laurinda Leite, Luís Dourado e Sofia Morgado Nos últimos anos, o conhecimento tem evoluído a um ritmo alucinante, pelo que as aprendizagens realizadas por qualquer profissional durante a sua formação inicial ficam rapidamente desatualizadas. Por isso, a formação inicial precisa, cada vez mais, de ser encarada como o início de um percurso formativo que deve ser contínuo e, por isso, ocorrer ao longo de toda a vida profissional. No entanto, esse percurso necessita de se adequar, permanentemente, a novas realidades sociais e culturais que, também elas, são objeto de evoluções constantes, de um modo especial nas sociedades científica e tecnologicamente avançadas. A profissão docente não é alheia a estas realidades, pelo que, por muito boa que seja a formação inicial facultada aos futuros docentes, é necessário que haja condições para uma formação contínua de professores que lhes faculte ferramentas, de natureza diversa, exigidas para responderem, de modo eficaz, aos desafios das novas realidades com que se vão deparando ao longo da sua carreira. Segundo Cachapuz (2017), “os professores têm direito à oferta institucional de percursos de formação com qualidade ao longo da vida em função dos seus interesses e necessidades de formação” (p.40). No entanto, apesar de, em alguns países, a formação contínua de professores ser oficialmente considerada um direito e, simultaneamente, um dever dos docentes, nem sempre é reconhecida por estes como algo em que vale a pena envolverem-se ou nem sempre a formação contínua disponível é compatível com os interesses e as necessidades sentidas pelos professores. Para que a formação contínua possa ser reconhecida como relevante pelos professores e alcance o seu objetivo último de contribuir para melhores aprendizagens, ela não pode ser imposta aos professores, mas antes deve ser sentida por estes como uma necessidade para irem consolidando a sua identidade profissional e para realizarem a sua missão de educar os jovens para um futuro que