Simbiótica. Revista Eletrônica Vitória, Brasil - ISSN 2316-1620 Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional. Simbiótica. Revista Eletrônica, Vitória. ISSN: 2316-1620 Uma escola sob o signo da indústria, às margens da mineração, nas ruínas do agronegócio https://doi.org/10.47456/simbitica.v10i3.39380 Magno Ricardo Silva de Carvalho Geógrafo pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Brasil. Mestre em Geografia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Doutorando em Geografia na Universidade Estadual Paulista. E-mail: magno.ricardo9@gmail.com Você certamente já presenciou algum amigo chorando depois de concluir e apresentar o famigerado TCC ou congênere. Se você já concluiu um curso superior, provavelmente já foi o amigo que chorou de alívio, felicidade, e orgulho de si após ouvir de uma banca um sonoro “aprovado”. Sim, é absolutamente comum e aceitável que essas lágrimas apareçam nesse momento. Há quem diga, inclusive, que incomum é se elas não aparecerem. Mas, e durante a defesa, enquanto ouve e responde às arguições da banca, você já viu? Não, né?! Nem eu... até porque quando aconteceu meus olhos cheios d’água não me permitiram ver nada. O ano era 2016, e eu um graduando em geografia da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) ansioso pelo encerramento daquele ciclo e para saber o que me reservava a vida depois dele. Minha monografia era sobre a produção da cidade a partir das ocupações, era sobre favelas (temática escolhida só por causa de uma letra do Chico Science, mas isso é uma outra história...). Em Marabá há muitos bairros desse tipo. Elegemos, eu e meu orientador, um com um nome um tanto diferente. Eu não disse que é uma palavra diferente, ao contrário, talvez seja uma das palavras mais famosas do mundo... mas só nessa cidade amazônica ela dá nome a um bairro: “Coca- Cola”, ou apenas “Coca”, para os mais chegados. Esse nome, que apesar de não ser o oficial ainda é muitíssimo utilizado, foi dado por conta da proximidade da entrada da ocupação em seu início, com um prédio onde já funcionou uma fábrica da Coca-Cola e onde, ainda hoje, é uma distribuidora da marca. Era a “invasão da Coca-Cola”. No período da pesquisa eu, diligente aspirante a geógrafo, estava sempre por lá nos meus quase intermináveis trabalhos de campo. Fosse aplicando as dezenas de formulários nas casas, fotografando ou conversando com as pessoas. Queria entender todo o processo de transformação de uma antiga fazenda improdutiva em espaço de habitação, e como as necessidades das pessoas desse espaço eram supridas.