43 O fo de Ariadne: tradutoras dos clássicos no Brasil Adriane da Silva Duarte Cadernos de Letras UFF, Niterói, v.34, n.67, p.43-86, 2º semestre de 2023 O fo de Ariadne: tradutoras dos clássicos no Brasil Adriane da Silva Duarte1 Resumo: As primeiras traduções dos clássicos no Brasil datam dos tempos da Colônia, mas versões assinadas por mulheres só têm registro a partir da década de 30 do último século. Minha proposta é apresentar um levantamento, ainda que incipiente, dessa produção, de modo a fornecer um panorama das tradutoras brasileiras do grego e do latim, contribuindo, assim, para dar visibilidade a uma atividade muitas vezes relegada ao segundo plano. Vou me deter sobre as precursoras e sua condição de trabalho nas décadas de 1930 e 1940; as desbravadoras, primeira geração oriunda dos cursos universitários de Letras Clássicas nos anos 1950 e 1960; chegando às doutoras, que hoje se fazem cada vez mais presentes no mercado editorial. A ideia é lançar o fo de Ariadne para que seja possível nos orientarmos nos labirintos da desmemória, dando assim início a um projeto mais ambicioso, o de se escrever a história da tradução dos clássicos no Brasil. Palavras-chave: Recepção dos Clássicos. História da Tradução. Tradutoras brasileiras. Literaturas Clássicas. E m artigo intitulado “Por uma história da tradução dos clássicos greco-latinos no Brasil” (DUARTE, 2016), eu apontava a necessidade de traçarmos um panorama das contribuições dos tradutores para recepção da cultura grega e latina no Brasil. As traduções, vale lembrar, constituem a porta de entrada para o universo clássico, uma vez que o estudo das línguas é cada vez mais restrito e limitado aos cursos universitários. No mesmo texto, anotava o quão pouco sabemos dos que se dedicaram a transpor os clássicos para a língua portuguesa, e nisso não há surpresa, uma vez que tanto a falta de memória de nosso país quanto a 1 Professora Titular de Língua e Literatura Grega na Universidade de São Paulo e bolsista de produtividade do CNPq. É autora de O dono da voz e a voz do dono. A parábase na comédia de Aristófanes (2000) e Cenas de reconhecimento na poesia grega (2012), além de capítulos de livro e artigos acadêmicos. É tradutora de Aristófanes e do romance grego antigo. Coordena o GP Estudos sobre o Teatro Antigo.