Performa ’09 – Encontros de Investigação em Performance Universidade de Aveiro, Maio de 2009 Existe uma vocalização do bebé específica para a música? Estudo exploratório de padrões acústicos de produções vocais de bebés entre os 9 e os 11 meses António Rocha, João Pedro Reigado, Dárcio Silva e Helena Rodrigues, Lamci – CESEM, Universidade Nova de Lisboa Introdução (Objectivos) As últimas duas décadas têm sido ricas em investigações sobre as capacidades precoces dos bebés (cf. Slater & Muir, 2004). Em particular, os estudos na área do desenvolvimento musical na primeira infância têm revelado a semelhança entre os mecanismos de processamento da música no bebé e no adulto (cf. Deliège & Sloboda, 1996). O presente estudo aborda o desenvolvimento musical de bebés, na certeza de que este conhecimento é fundamental para melhor se compreender a natureza do ser humano na sua globalidade e no pressuposto de que será útil para melhor se entender o processo de aquisição musical desde o nascimento. O balbucio musical tem sido apresentado como um dos comportamentos vocais dos bebés em relação à música (Moog, 1976; Gordon, 2008). Contudo, não está rigorosamente analisada a natureza deste tipo de vocalização, nem tão pouco esclarecido se tem características que a diferenciam do balbucio face à linguagem verbal. É nesta problemática que este estudo se insere, tendo como objectivo verificar as seguintes hipóteses: 1) Os bebés vocalizam de forma diferente para estímulos musicais e para estímulos linguísticos verbais. 2) O estímulo musical afecta as frequências fundamentais das respostas vocais dos bebés, podendo observar-se a imitação, parcial ou total, das frequências fundamentais do estímulo. A produção vocal do bebé face à música e à linguagem (Contexto) Entre os comportamentos face ao som, um dos mais salientes diz respeito às vocalizações dos bebés. Segundo Bower (1983), a vocalização tem duas fases diferentes de desenvolvimento. Dos 0 aos 6 meses os bebés criam um grande número de vocalizações. A segunda fase surge por volta dos 6 meses, durante a qual o bebé passa a produzir sobretudo sons do meio ambiente linguístico que o rodeia. Socorrendo-se dos estudos de Lenneberg, o autor sugere que “(…) o bebé retém no seu repertório apenas sons que ouve dos outros no seu meio” (op. cit., p.166). Kuhl e Meltzoff (1996) apresentam uma visão de conjunto da investigação realizada sobre o balbucio. Estes investigadores referem que a produção vocal se inicia ao nascer e se processa através de cinco etapas específicas: dos 0-2 meses – Fonemas Reflexos: produção de sons espontâneos de carácter reflexo, como o choro, o soluçar; dos 1-4 meses – Cooing: produção de sons “quase vocais” com a predominância de sons de vogais; dos 3-8 meses – Expansão: emissão de sons em clara correspondência com vogais, acompanhada da produção de uma variada panóplia sonora através do choro, gritos, sussurros; dos 5-10 meses – Canonical Babbling: produção de sequências silábicas consoante-vogal, como por