Luiz Signates Estudo sobre o conceito de mediação “Uma opinião nova conta como ‘verdadeira’ na medida em que gratifica o desejo do indivíduo de assimilar o novo na sua experiência às suas crenças em stock O nosso conhecimento cresce às manchas (...) e, tal como manchas de gordura, alastra. Mas nós deixamos que alastre o menos possível: mantemos sem alteração tanto quanto podemos do conhecimento velho, dos velhos preconceitos e crenças (...) acontece raramente que um novo fato é acrescentado em cru. Mais freqüentemente é misturado e cozido no molho do velho — William James (In Santos, 1990, p. 101) 1. Introdução Apenas a abundância de citações e usos do verbo mediar e dos termos mediação e mediador nos textos referentes aos estudos recentes de recepção na América Latina já seria suficiente para demonstrar a impor tância desse conceito na reflexão contemporânea sobre essa relevante área da pesquisa em comunicação. Devido a esse uso continuado, seria de se esperar que a palavra mediação remetesse a um significado claro, consensualizado entre os diversos autores e pesquisadores, e a opera dores metodológicos cujas possibili dades e limites fossem minimamente conhecidos. Por incrível que possa parecer, não é isso o que acontece. O próprio Martín-Barbero, em sua obra principal, De los medios a las medi- aciones (1987), apesar de utilizá-lo no próprio título, não o define claramen te, nem o historia. As contribuições nesse sentido são esparsas, e, entre elas, é digno de menção o esforço de Orozco Gómez (1994) em procurar não apenas definir o conceito, como avaliar suas possibilidades descritivas de forma a categorizá-lo em seus múltiplos aspectos. O objetivo deste trabalho é, pois, dentro das possibilidades de uma categoria teórica tão complexa e, até certo ponto, obscura, contribuir para um entendimento mais claro de sua história, suas possibilidades e seus limites. Sem a ingênua pretensão de exaustividade, fundamos as conside rações que o enfeixam em três autores fundamentais, todos vinculados ao campo dos estudos culturais: Williams, Martín-Barbero e Orozco Gómez. O primeiro, por ser a fonte comum onde foram beber os princi pais autores que hoje influenciam os estudos de recepção, pela linha da sociologia da cultura, na América Latina e, mais especificamente, no Brasil. E, os demais, por serem os que mais densa e copiosamente têm produzido trabalhos a respeito. 2. Esboço histórico do conceito A palavra mediação, confor me Lalande (1993, p. 656), procede do adjetivo inglês mediate (embora se admita também vinculação com o francês mediat e, em seguida, médiation) do qual se originou o substantivo médiation e seus deriva dos, como intermediation. Em ale mão, Vermittelung, se faz presente Luiz Signates é jornalista e professor assistente da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás. Especialista em Políticas Públicas pela UFG, Mestre em Comunicação pela UNB, cursa o doutorado no Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA/USP.