5 Comunicação e Sociedade, vol. 20, 2011, pp. 5-8 A rádio na frequência da Web Madalena Oliveira e Pedro Portela Ao longo da sua história, a rádio tem atravessado constantes transformações, que pas- saram pela digitalização das estações emissoras e pelo convívio com outros meios de comunicação, também eles em permanente ajustamento face aos progressos tecnoló- gicos que animaram o século XX. Talvez por esta razão se compreenda que ela tenha sobrevivido aos reptos dos chamados novos média, tirando partido da tecnologia e das novas potencialidades técnicas e tendo-se aparentemente adaptado aos novos “modos de ouvir”. Ainda assim, o futuro da rádio, um pouco como o de todos os média clássicos, é encarado com algumas reservas, dada, por exemplo, a sua fragilidade diante dos meios de natureza visual. Nos últimos anos, assistimos inclusive a debates que anunciam a morte da rádio e a sua definitiva inviabilidade do ponto de vista económico. Sob o signo do que se poderá eventualmente chamar post-radio, os discursos contemporâneos em torno deste meio de comunicação têm, no entanto, procurado contrariar, em boa medida, o tom apocalíptico dos que dizem intuir o fim de um meio, por definição, de natureza exclusivamente sonora. Com designações que variam entre ciber-rádio e web- -rádio, passando também por r@dio, os autores que têm problematizado o futuro da rádio, fazem-no habitualmente com a confiança dos que vêem no ambiente web novas oportunidades para a sua reinvenção. Seria ingénuo ignorar que a rádio é um meio de comunicação em crise. Como o são hoje todos os média ditos tradicionais. Porque a crise é o que resulta sempre do confronto com o que desafia a natureza, a nossa e a das coisas. Sabemos que a rádio se debate hoje com um embaraço que se funda na sua contingente falência económica, na perda de energia dos seus públicos e na própria concorrência com regimes significativos quiçá mais apelativos. Mas isso talvez não seja propriamente novidade num meio que sempre lutou pelo seu lugar na paisagem mediática, ao acompanhar toda a história do visual no século XX. O que hoje é inteiramente novo é que, pela primeira vez na sua história, a rádio muda de lugar. Mantendo-se ainda no ar, migra progressivamente para habitar um outro espaço, a web. Até agora, transformando-se por reacção às mudanças