As seções fixas de opinião da revista Intervalo: o posicionamento editorial diante da TV brasileira dos anos 1960 e 1970 1 Talita Souza MAGNOLO 2 Doutora Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, MG Resumo As décadas de 1960 e 1970 representaram, para a cultura de massa no Brasil, um tempo de interregno entre leitor e telespectador. Ao tempo em que a TV se desenvolvia, os veículos impressos, em especial, as revistas especializadas em televisão sentiram a necessidade de desvendar e construir este novo universo, revelando personagens que passaram a ter corporeidade, apesar de todas as deficiências de imagem, nas telas da TV. Tal movimento de construção foi materializado, por vezes, através da elaboração de estratégias editoriais. Neste artigo, proponho um olhar para a criação de seções fixas por parte da revista Intervalo (1963-1972) da Editora Abril, dando ênfase às seções de opinião “Bola Branca, Bola Preta”, “Nossa Opinião” e “Cotação”, com o intuito de compreender, através de uma Análise Documental (BARBOSA, 2020), como a revista se posicionou diante dos acontecimentos e personagens da TV e, como essa estratégia fez parte de um movimento editorial para estabelecer e fortalecer a relação com seu leitor. Palavras-chave: História da mídia impressa; revista Intervalo; Opinião; Televisão; 1960/70. Introdução Atualmente, vivemos em mundo hiper conectado, transmidiático e digital. Estabelecer contato com emissoras, jornalistas e veículos da imprensa é algo comum, fácil e rápido. As informações da TV, do streaming e dos aplicativos de imagens e mensagens estão a um simples toque de distância. Como parte de um novo habitus, nos comunicamos, opinamos, questionamos e, por muitas vezes, obtemos respostas quase que instantâneas. Tudo isso e muito mais, graças aos avanços tecnológicas dessa nova era digitalizada. É fácil nos deslumbrarmos com as novidades e as possíveis evoluções do futuro, entretanto, a proposta que trago neste artigo, é um olhar para o passado, mais precisamente para as décadas de 1960 e 1970, quando a televisão vivia o auge do seu desenvolvimento técnico, tecnológico e comercial. Em especial, lanço luz para o momento em que as revistas especializadas em TV, entre 1 Trabalho apresentado no GT História da Mídia Impressa, integrante do XIV Encontro Nacional de História da Mídia. 2 Doutora e mestre Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF, vice-líder do Grupo de Pesquisa (CNPQ) Comunicação, Cidade e Memória, assistente científica do XIV Encontro Nacional de História da Mídia. E-mail: talita.magnolo@yahoo.com.br