105 LETRAS PLURAIS - Crenças e Metodologias do Ensino de Línguas CRENÇAS DE PROFESSORES SOBRE O PAPEL DO DICIONÁRIO NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA Antônio Luciano Pontes 1 Universidade Estadual do Ceará Márcio Sales Santiago 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul 1 Considerações gerais Segundo Auroux (1992, p. 65), o dicionário, como tecnologia, descreve e instrumenta uma língua, sendo ainda hoje um dos pilares de nosso saber metalinguístico. No Brasil, entretanto, a função do dicionário, enquanto saber metalinguístico, não vem sendo cumprida de forma plena e tal fato aparece de forma contundente. Já foi constatado, através de pesquisas 3 em sala de aula, que o aluno se frustra diante do dicionário por não ter sido “treinado” para usá-lo adequadamente. Esta situação justifica-se principalmente pelo fato de o professor não se formar bem teórica e metodologicamente, para o trabalho com o dicionário em sala de aula. Para reverter este quadro, coloca-se, primordialmente, uma boa formação do professor de língua em Lexicografia Pedagógica, pois a ele cabem várias tarefas, entre elas, manusear todos os tipos de dicionários, compará-los criticamente assinalando as vantagens de uns e as insuficiências de outros, informar e guiar o aluno no oceano lexicográfico. Logo, ensinar pressupõe uma boa formação teórico-metodológica na área para poder atingir um dos objetivos principais da didática de línguas, qual seja o de orientar adequadamente o aluno no manuseio do dicionário, cabendo inclusive a tarefa de programar esse ensino (SALVADOR, 1983). Ademais, há de esgotar o potencial de informações que o dicionário possa oferecer ao aluno, não o resumindo na simples função de tira-dúvidas, o que limita extremamente seus usos em sala de aula. Deve-se, sim, reconhecer o dicionário como texto, que obviamente pressupõe outras leituras. 1 Doutor em Letras pela UNESP. Professor do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da UECE. Coordenador do Grupo LETENS. E-mail: pontes321@hotmail.com 2 Mestre em Linguística Aplicada pela UNISINOS. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRGS. Bolsista do CNPq. Pesquisador do Grupo TERMILEX. E-mail: mssantiago12@gmail.com 3 Para tomar conhecimento sobre pesquisas na área da Lexicografia Pedagógica, leia relatos em Welker (2008).