Linguasagem, São Carlos, v. 25 (1): 2016. ANDRADE, C. D. de. Brejo das Almas. 1ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, 69 páginas. A RACIONALIZAÇÃO DO AMOR EM BREJO DAS ALMAS, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Gabriela Cristina Borborema Bozzo 1 A obra e seu autor Brejo das Almas foi publicado em 1934 por Carlos Drummond de Andrade. A obra é constituida por 26 poemas e é a segunda publicação da vasta obra do autor. A obra traz como título o antigo nome de um minicípio mineiro (atualmente Francisco Sá). Drummond foi um poeta brasileiro de grande importância para o movimento modernista. Participou, com seus poemas-piadas como “Pedra no meio do caminho”, da sua primeira fase revolucionária, bem como de segunda, com sua poesia mais madura, fase iniciada pela obra Brejo das Almas. Nessa época, os poetas abandonaram os excessos da primeira fase, mas sem dar as costas para suas conquistas: liberdade de expressão, tematizar o cotidiano e linguagem coloquial. Drummond utilizou de tais conquistas nessa obra, pois sua linguagem é simples, ele retrata o cotidiano em suas obras e utiliza sua liberdade de expressão, pois tematiza o abandono que o eu lírico sente por parte de Deus e a mulher como uma tentação para o eu lírico, por exemplo, nos poemas “Um homem e seu carnaval” e “Cançao para ninar mulher”, respectivamente. Brejo das Almas se situa entre as obras Alguma Poesia (1930), sua primeira publicação, e Sentimento do Mundo (1940), sua obra de maior prestígio popular. Na obra estudada, o poeta discute o amor, mas não de uma maneira idealizada como um poeta romântico o faria: Drummond discute o amor sob um ponto de vista racional, mantendo um posicionamento reflexivo em relação ao sentimento amor. Discute, ainda, o fazer poético e o que é poesia. Brejo das Almas e “O amor bate na aorta” Dentre as temáticas presentes na obra, pode-se destacar a recorrente visão pessimista e irônica do amor que circunda a obra. Como recursos poéticos, temos o uso da figura de linguagem sinestesia, o uso de imagens surrealistas e a utilização eu lírico feminino mesclado com um masculino, mantendo a alternância de narradores (no caso, eu lírico) utilizada por Oswald de Andrade em Memórias Sentimentais de João Miramar (1924), o que ocorre no poema “Desdobramento de Adalgisa”. Temos, ainda, um interessantíssimo tema de resgate do Modernismo de 1922: a negação de uma identidade brasileira no poema “Hino Nacional”. Essa negação pode ser notada em versos 1 Graduanda do curso de Letras, nas modalidades bacharelado e licenciatura, da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (UNESP). E-mail: gabiih_b@hotmail.com.