Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 4, n. 8, p. 182 - 198, junho de 1998 301 Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 7, n. 16, p. 301-305, dezembro de 2001 FELDMAN-BIANCO, Bela; CAPINHA, Graça (Org.). Identidades : estudos de cultura e poder. São Paulo: Hucitec, 2000. 175 p. Denise Fagundes Jardim Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brasil Em Identidades: estudos de cultura e poder, Bela Feldman-Bianco e Graça Capinha reúnem artigos que contemplam múltiplos enfoques e tramas conceituais sobre as relações entre identidades “locais” e os processos “glo- bais”. O volume é organizado a partir do encontro entre pesquisadores do Brasil, Portugal e Estados Unidos. Em se tratando de experiências sobre identidade cultural, migrações e globalização, nada mais adequado do que explorar experiências singulares e refletir sobre o instrumental analítico, seu alcance e certezas, através de estudos comparativos. Identidades, de Bela Feldman-Bianco sublinha os entrecruzamentos e interlocuções necessárias entre perspectivas e pesquisadores para tratar de “identidades”. Salienta a possibilidade de um melhor entendimento da produ- ção de unidades culturais e a análise da dimensão cultural quando tratados sob o signo do transnacionalismo, dos constantes deslocamentos de popu- lações. Faz-se necessário analisar como estas situações operam e suas implicações nos jogos de identidade. Jogos estes que envolvem tanto a produção de identidades diferenciadas quanto o seu contrário, a dissolução de fronteiras. Boaventura de Souza Santos explora as possibilidades de uma con- cepção multicultural de direitos humanos. Em “Por uma concepção Multicultural de Direitos Humanos”, o leitor encontrará definições precisas sobre globalização, localismo e seus nexos: “Aquilo que habitualmente desig- namos por globalização são, de fato, conjuntos diferenciados de relações sociais; diferentes conjuntos de relações sociais dão origem a diferentes fenômenos de globalização” (p. 22). O sistema-mundo é uma trama de globalismos localizados e localismos globalizados. Para o autor, o entendi- mento das relações entre o global e o local, seus diálogos e entrecruzamen- tos são melhores descritos em situações que devem ser analisadas de modo mais cuidadoso. Há sempre um risco de estabelecer um feixe de relações como “a globalização” quando, do ponto de vista analítico, entende que não existe a globalização bem-sucedida ou genuína.