68 | PERIPLOS | GT CLACSO - Migración Sur-Sur | Volume 01 - Número 01 Características sociodemográfcas e laborais da imigração haitiana no Brasil Leonardo Cavalcanti 1 Tânia Tonhati 2 O presente artigo tem como objetivo apresentar os principais resultados encontrados na pesquisa titulada: A imigração haitiana no Brasil - características sociodemográfcas e laborais na Região Sul e no Distrito Federal, realizada durante os meses de março a dezembro de 2015 3 . Esse grupo de imigrantes possui uma importância singular no atual contexto da imigração no país. Além de ser a principal nacionalidade no mercado de trabalho formal no Brasil, é o único coletivo de imigrantes que tem uma Resolução especial do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) que permite a concessão de visto por razões humanitárias. Nos primeiros anos da presente década, foram emitidos 48.361 vistos para haitianos e 51.124 autorizações de residência pelo CNIg, com um crescimento constante desse fuxo migratório durante a primeira metade da atual década. No entanto, esses dados, não permitem afrmar que todos os imigrantes com vistos emitidos nas repartições consulares entraram no país. Da mesma forma, os imigrantes que tiveram as autorizações de residência via CNIg podem ter retornado ao lugar de origem ou reemigrado para outro país. Além disso, nem todas estas pessoas estão entre a População por Idade Ativa (PIA). Portanto, pode haver decisões familiares em que um membro da família provê os recursos econômicos e os outros integrantes se dedicam a outras atividades. Para ter uma maior precisão da situação desses imigrantes no mercado trabalho seria necessária uma chave primaria que possa fazer o linkage entre as bases da Polícia Federal e os registros administrativos dos ministérios para fazer os cruzamentos necessários. Por último, é importante considerar o fator da informalidade. Em um país em que os nacionais possuem uma alta taxa de trabalho informal, há uma grande possibilidade que os imigrantes também exerçam esse tipo de atividade. Em síntese, devido às próprias características do fenômeno migratório e as razões apresentadas anteriormente, não é possível fazer uma relação direta entre os vistos emitidos e as autorizações do CNIg com a situação dos imigrantes no país e a sua empregabilidade. No entanto, uma parte considerável desses imigrantes estão no mercado de trabalho formal. Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 4 , observa-se o crescimento com taxas positivas do coletivo haitiano na primeira metade da presente década, passando de 815 pessoas no mercado de trabalho formal em 2011 a 30.484 em 2014, com taxas de crescimento anual de: 107,44% (2014/13); 255,98% (2013/12) e 406,50% (2012/11). Trata-se do coletivo cujo crescimento desponta sobre o dos demais e mantém o primeiro lugar, em termos de variação (%), nos três últimos períodos comparados. Levando em conta as quantidades consolidadas (homens e mulheres) de imigrantes para cada ano, os haitianos passam a ocupar a primeira posição no mercado de trabalho formal pela primeira vez no ano de 2013 e se mantém nessa posição até a atualidade. Os haitianos estão empregados, principalmente, nas seguintes atividades econômicas: 1 Professor da Universidade de Brasília e coordenador científco do Observatório das Migrações Internacionais OBMigra. 2 Doutoranda da Universidade de Londres, Goldsmiths College, pesquisadora e coordenadora executiva do Observatório das Migrações Internacionais OBMigra. 3 Marco teórico e metodológico da pesquisa disponível em http://obmigra.mte.gov.br/index.php/publicacoes-obmigra, acesso em maio de 2017. 4 A RAIS não capta algumas formas de trabalho, como: trabalho doméstico, autônomos, freelances, donos de empresas, entre outras.