CONSTRUÇÃO DE SIGNIFICADOS VISUAIS : A PARTICIPAÇÃO DE JOVENS A PARTIR DA FOTOGRAFIA PARTICIPATIVA Daniel Meirinho Índice Introdução .................. 1 1 Procedimentos Metodológicos ..... 2 2 Mas quais as barreiras e limitações asso- ciados a um projeto participativo? ... 3 2.1 A seleção dos jovens ......... 3 2.2 O espaço ................ 4 2.3 O tempo das oficinas ......... 4 2.4 Os materiais e equipamentos ..... 5 2.5 Especificação e adequação do currículo 6 Notas conclusivas .............. 6 Referências ................. 7 Introdução D ESDE sua invenção, até à sua alargada acessi- bilidade, a fotografia foi tratada como uma janela que observa o mundo tal qual ele se apre- senta. Após muitos debates acerca da veracidade e representação fidedigna de uma realidade estática, a imagem fotográfica passou a ser compreendida como um novo formato de enquadrar as diversas perceções do mundo real. Essa transição se deu com o consumo estético emergente das sociedades industriais no início do século XX, transformando os seus cidadãos em viciados imagéticos. A aces- sibilidade dos indivíduos às representações visuais do mundo ampliou as perspetivas que limitam o enquadramento fotográfico. A perceção visual da realidade passa pelo exer- cício autoral de quem produz a imagem, sendo-a um conjunto de escolhas que refletem o repertó- rio cultural e pessoal de cada indivíduo. Após um longo caminho em que a imagem fotográfica per- meou entre a arte e a tecnologia, as críticas condu- ziram para um entendimento de que o meio se tor- naria um objeto que fragmenta uma determinada realidade no espaço e no tempo, imortalizando o momento e ativando memórias. As lembranças de um passado que já se foi poderiam continuar vivas e eternizadas de forma efémera na representação fotográfica. Estudiosos e entusiastas da fotografia passa- ram a compreendê-la não apenas como janela, mas como um espelho que ultrapassa a perceção do ob- jeto que o sujeito retratou ao apertar o disparador, aprofundando o olhar numa subjetividade além do enquadramento e indo de encontro com os interes- ses e preocupações do seu produtor. Todo o pro- cesso que vai desde o ato de escolha do que será captado até as formas de disseminação imagética são processadas nesta tese a partir da possibilidade de compreensão da imagem fotográfica enquanto ferramenta metodológica e estratégia participativa para a reflexão individual e coletiva. Partimos destas linhas gerais e da importância da Cultura Visual para a sociedade contemporânea como pontos geradores desta investigação, direci- onada a utilizar a imagem como instrumento re- flexivo e de empowerment em jovens provenien- tes de contextos de exclusão social e vulnerabili- dade. Através desta investigação-ação participa- tiva de quatro anos nos propomos a refletir como a visualidade pode incidir sobre certas mudanças individuais e coletivas, a partir de suas perspetivas e experiências pessoais. Utilizamos de forma intensiva as teorias de Paulo Freire (1970) que nos guiaram a perceção c 2018, Daniel Meirinho. c 2018, Universidade da Beira Interior. O conteúdo deste artigo está protegido por Lei. Qualquer forma de reprodução, distribuição, comunicação pública ou transforma- ção da totalidade ou de parte desta obra carece de expressa auto- rização do editor e do(s) seu(s) autor(es). O artigo, bem como a autorização de publicação das imagens, são da exclusiva respon- sabilidade do(s) autor(es).