doi: 10.29372/rab201811
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Controle químico de plantas daninhas em
pastagens: uma breve revisão
Juliana de Souza Rodrigues
Fabiano Griesang
Andreísa Flores Braga
Universidade Estadual Paulista
julianadesrodrigues@gmail.com
25/4/2018
O Brasil é uma referência mundial na produção de carne bovina devido a vasta
extensão territorial que possui, possibilitando uma produção de baixo custo, elevando
a competitividade do setor no mercado internacional. Entretanto, pastagens de má
qualidade, resultantes da escassez de critérios técnicos na implantação e falta de
investimentos na manutenção, abrem espaço para a ocorrência de plantas daninhas,
as quais tem se tornado predominantes nestas áreas mal manejadas.
Vários são os danos causados pelas plantas daninhas em meio à pastagem. De
forma geral, a palatabilidade e valor nutritivo das plantas daninhas as tornam inaptas
para o consumo animal. Muitas destas plantas possuem estruturas morfológicas
modificadas, como os espinhos, que dificultam o acesso dos animais à pastagem,
levando a uma maior pressão de pastejo em áreas com pastagens mais localizadas
(9)
.
Em alguns casos, a presença de compostos tóxicos pode debilitar os animais que
acidentalmente a consumirem, podendo levá-los até à morte, como observado por Gava
et al.
(4)
na ingestão de Mascagnia sp. Algumas plantas daninhas de maior estatura
também podem propiciar ambiente favorável para a proliferação de parasitas externos
de bovinos, além de induzir a pastagem ao crescimento ereto, com maior
desenvolvimento de hastes em relação às folhas, depreciando sua qualidade
(1)
.
Além disso, plantas daninhas de pastagens apresentam vantagens competitivas
que as permitem povoar o solo em detrimento à pastagem
(12)
. Outra característica
adaptativa importante, está relacionada aos ciclos de vida mais curtos com elevada
produção de dissemínulos, abastecendo o banco de sementes do solo
(10)
. A capacidade
de perenização em forma de touceiras ou arbustos; maior estatura, forma a interceptar
a radiação solar e prover sombra sobre as pastagens e sistemas radiculares mais
agressivos, que garantem o suprimento de nutrientes e água mesmo em condições de
déficit hídrico, também são características que que auxiliam as plantas daninhas
serem mais competitivas
(5)
.
As plantas daninhas
De modo geral, planta daninha pode ser definida como qualquer planta que
cresce onde não é desejada e, segundo Pitelli
(11)
, existem dois tipos de invasoras
recorrentes em áreas de pastagens. O primeiro tipo dessas invasoras seriam as que
ocorrem em pastagens bem formadas e com manejo animal adequado. Nesta situação,
a incidência de espécies invasoras é reduzida e há a predominância de espécies
arbustivas, com alocação de nutrientes em estruturas reprodutivas, o que faz com que
suas populações cresçam lentamente não havendo a necessidade de um controle
frequente. Por outro lado, em pastagens malformadas e mal manejadas
REVISTA AGRONOMIA BRASILEIRA
Volume 2 | rab201811 Laboratório de Matologia Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Jaboticabal - SP
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