DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v10i1.14912 Cienc Cuid Saude 2011 Jan/Mar; 10(1):066-073 ________________ * Enfermeira. Doutora em Enfermagem na Saúde do Adulto pela Universidade de São Paulo. Professora do Departamento de Enfermagem e do Mestrado em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM). E-mail: catasales@hotmail.com. ** Enfermeiro. Mestrando em Enfermagem pela UEM. E-mail: vladimir_araujo_silva@hotmail.com A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO NO CONTEXTO HOSPITAL Catarina Aparecida Sales* Vladimir Araújo da Silva** RESUMO A temática de humanizar os serviços de saúde no âmbito hospitalar vem sendo alvo das políticas governamentais brasileiras, que empreendem ações para disseminar uma nova cultura de atendimento, o atendimento humanizado. Diante disto, resolvemos investigar que cuidados referentes aos pressupostos dos cuidados paliativos os enfermeiros utilizam ao cuidar. Trata-se de uma pesquisa descritiva com abordagem qualitativa. Para o estudo entrevistamos nove enfermeiros que atuam em hospitais e cursaram mestrado em Enfermagem em 2009-2010. Utilizamos a seguinte questão norteadora: “Quais os cuidados que você considera importantes na assistência do doente terminal e sua família no ambiente hospital?” Da análise despontaram duas temáticas: Cuidando do doente de forma humanizada e Cuidando da família de forma humanizada. Este estudo permitiu-nos vislumbrar que os cuidados paliativos, no que tange à humanização no ambiente hospital, podem transcender o poder tecnológico, em que o doente e sua família são transformados em apenas objetos de cuidado, sem identidade. Palavras-chave: Humanização da Assistência. Cuidados Paliativos. Serviço Hospitalar de Admissão de Paciente. Cuidados de Enfermagem. INTRODUÇÃO Desde a Antiguidade a doença, implícita ou explicitamente, esteve presente no cotidiano do ser humano. Enredada nos costumes de cada civilização, ela passa a ser vivenciada de formas diferentes, despertando em sua trajetória o temor do sofrimento e da morte. Concomitantemente, porém, à evolução das doenças, observa-se também, ao longo da história, o aparecimento de cuidadores, pessoas que perante o sofrimento e a dor desenvolviam sentimentos de solicitude para com seus semelhantes, abrigando-os em locais denominados hóspices, os quais de início não estavam explicitamente associados com o cuidado aos moribundos, e sim, com o acolhimento ao próximo em seu sofrimento (1) . Atualmente, vivemos a era da modernidade e da tecnologia, que permite melhorar os índices de cura de muitas doenças, principalmente na área da oncologia; mas vivenciamos também a ciência que divide o homem em sistemas, isto é, não o vê como um todo, e sim, dividido em partes. Assim, a medicina tradicional busca a cura, e não o cuidado e o bem-estar do ser com câncer e sua família. Na década de 1960 surge de forma concreta a humanização da assistência dentro dos pressupostos dos cuidados paliativos, cujas pioneiras foram Cecily Saunders e Elizabeth Kubler-Ross, que sublevaram a forma de cuidar dos doentes que vivenciam a terminalidade da vida. A primeira se destaca por introduzir no contexto dos cuidados de saúde uma filosofia de cuidados paliativos institucionais, enquanto a doutora Kubler-Ross reformulou esse cuidado ao descrever todo o processo pelo qual a pessoa passa na fase final de sua vida (2) . Desta forma, os cuidados paliativos configuram-se hodiernamente no cenário da saúde como “uma proposta de cuidado da pessoa em seu morrendo, que contempla pontos relevantes, pertinentes às diversas dimensões de sua existência. Englobam um amplo programa interdisciplinar de assistência aos pacientes com doenças avançadas, buscando aliviar seus sintomas mais estressantes, oferecendo-lhes um manto protetor” (3:1) . No Brasil, inicialmente o emprego do cuidado paliativo estava associado ao doente