Prematuridade e sua relação com o estado nutricional e o tpo de nutrição durante a internação hospitalar 543 Rev. Ciênc. Méd. Biol., Salvador, v. 20, n. 4, p. 543-550, 2021 543 Prematuridade e sua relação com o estado nutricional e o tpo de nutrição durante a internação hospitalar Prematurity and its relatonship to nutritonal status and type of nutriton during hospitalizaton Luciana Ramos Macedo Teixeira 1 , Tainara Pereira de Araujo 2 , Renata Andrade de Medeiros Moreira 3 , Renata Junqueira Pereira 4* 1 Mestre em Ciências da Saúde, Hospital e Maternidade Pública Dona Regina Siqueira Campos, Palmas; 2 Mestre em Ciências da Saúde, Universidade Federal do Tocantns; 3 Doutora em Ciência da Nutrição, Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais; 4 Doutora em Ciência dos Alimentos, Universidade Federal do Tocantns. Resumo Introdução: fatores de risco gestacionais podem culminar na prematuridade neonatal, que consttui um grande desafo para a saúde pública em todo o mundo, sendo uma das principais causas de mortes neonatais. Objetvo: analisar uma população de prematuros, internados em unidades neonatais em relação ao estado nutricional e à alimentação recebida. Metodologia: delineamento observacional retrospectvo, com 125 recém-nascidos prematuros de uma maternidade pública do Tocantns. Sexo, idade gestacional ao nascer, peso, comprimento e perímetro cefálico ao nascer, durante a internação e na alta, ganho de peso diário, tempo de internação e tpo de dieta recebida foram analisados por meio dos testes de Mann-Whitney, Qui-quadrado, Exato de Fisher e t-Student, Mc Nemar, Wilcoxon e Friedman, a 5% de signifcância, no Statstcal Package for Social Sciences 20.0. Resultados: houve predomínio do sexo masculino na amostra. A prevalência de crianças muito prematuras foi maior na unidade de cuidados convencionais (UcinCo), enquanto a prevalência de crianças com muito baixo peso ao nascer foi maior na unidade de terapia intensiva (UTIN). O tempo de internação foi menor na UcinCo, sendo este menos da metade do tempo de internação na UTIN. O peso à alta e o ganho de peso foram maiores na UTIN. Observou-se declínio do estado nutricional nas duas unidades. A utlização de fórmulas comerciais foi maior na UcinCo, enquanto predominou a oferta de leite humano na UTIN. Conclusão: independentemente do tpo de dieta recebida e da unidade de terapia, as crianças declinaram de estado nutricional durante a internação. Palavras-chave: Aleitamento materno. Recém-nascido prematuro. Unidades de terapia intensiva neonatal. Abstract Introducton: gestatonal risk factors can culminate in neonatal prematurity, which is a major public health challenge worldwide, being one of the leading causes of neonatal deaths. Objectve: to analyze a populaton of preterm infants admited to neonatal units in relaton to nutritonal status and the food received. Methodology: retrospectve observatonal design with 125 premature newborns from a public maternity in Tocantns. Gender, gestatonal age at birth, weight, length and head circumference at birth, during hospitalizaton and at discharge, daily weight gain, length of stay and type of diet received were analyzed using the Mann- Whitney, Chi-square, Fisher exact and Student t, Mc Nemar, Wilcoxon and Friedman tests, at 5% signifcance, in the Statstcal Package for Social Sciences 20.0. Results: there was a predominance of males in the sample. The prevalence of very premature children was higher in the conventonal care unit (CCU), while the prevalence of very low birth weight children was higher in the intensive care unit (ICU). Length of stay was shorter in the CCU, which was less than half of the length of stay in the ICU. Weight at discharge and weight gain were higher in the ICU. There was a decline in nutritonal status in both units. The use of commercial formulas was higher in CCU, while the supply of human milk in the ICU predominated. Conclusion: regardless of the type of diet received and the therapy unit, the children declined their nutritonal status during hospitalizaton. Keywords: Breasteeding. Premature newborn. Neonatal intensive care units. INTRODUÇÃO A OMS considera prematuro todo neonato vivo, com menos de 37 semanas completas de gestação, os dividindo em subcategorias de maturidade ao nascer em prematuro extremo (< 28 semanas de gestação), muito prematuro (28 a 31 semanas e 6 dias de gestação) e pre- maturo moderado (32 a 36 semanas e 6 dias de gestação) (WHO, 2018). O nascer prematuro tem como característca a ima- turidade de órgãos e representa maior suscetbilidade a infecções, em consequência do desenvolvimento incom- pleto. Quando associado ao baixo peso, representa risco adicional de desfecho indesejável na evolução do recém- -nascido (RN) prematuro, o que eleva as chances desses neonatos necessitarem de cuidados especializados e Correspondente/Corresponding: *Renata Junqueira Pereira – End: Quadra 109 Norte, Avenida NS15, ALCNO 14, Campus da Universidade Federal do Tocantns, Bloco BALA I, sala 15, Palmas – TO / CEP: 77001- 090 – Tel.: (63) 3229-4700 – E-mail: renatajunqueira@uf.edu.br ARTIGO ORIGINAL ISSN 1677-5090 2021 Revista de Ciências Médicas e Biológicas htps://doi.org/10.9771/cmbio.v20i4.35300