e-ISSN: 1981-4755 DOI: 10.5935/1981-4755.20180041 Volume 19 Número 45 120 O novo e a tradição em Riacho Doce: entre o pertencimento e a ruína The new and the tradition in Riacho Doce: between belonging and ruin Elisa Domingues Coelho* *Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, UNESP, Araraquara- SP, 14800-901, e-mail: elisadcoelho@gmail.com RESUMO: Riacho Doce, junto a’O Moleque Ricardo, Pureza, Água-Mãe e Eurídice, compõe uma parte da obra de José Lins do Rego que escapa às tradicionais leituras dos ciclos, da memória e do regionalismo. Esse romance, em particular, sofreu ainda maior ataque da crítica, que leu, no protagonismo do estrangeiro, uma tentativa fracassada do autor de inovar e escapar ao rótulo de memorialista. Este artigo, a partir da análise do romance, procura expor como José Lins do Rego, ao trazer uma protagonista estrangeira e dedicar toda a primeira parte da história à sua infância na Suécia, inovou sim, mas para operar uma complexificação dos elementos que unem sua obra e inseri-los em uma longa trajetória do pertencimento que une o nacional e o estrangeiro, a tradição e o novo. Por meio dessa trajetória da protagonista Edna, vemos a terra como eixo organizador do romance, desde sua profunda crise do não pertencimento na juventude até sua perspectiva, perante o novo, atravessar o mar e invadir de cheio o conhecido conflito entre tradição e mudança, dotando-o de um novo olhar. Dedicando uma leitura atenta, como o fez Mário de Andrade, podemos perceber como esses elementos constroem um emaranhado de trajetórias e perspectivas em que a terra, a tradição, o novo, o estrangeiro e a busca por pertencer ou deixar de pertencer se aproximam, afastam- se e, por fim, confrontam-se. PALAVRAS-CHAVE: literatura brasileira; Modernismo; José Lins do Rego. ABSTRACT: Riacho Doce, along with O Moleque Ricardo, Pureza, Água-Mãe e Eurídice, composes a part of the work of José Lins do Rego that escapes the traditional readings of cycles, memory and regionalism. This novel, in particular, suffered an even greater attack from criticism, which read, in the protagonism of the foreigner, a failed attempt by the author to innovate and escape the label of memorialist. This article, based on the analysis of the novel, seeks to expose how José Lins do Rego, by bringing a foreign protagonist and dedicating the whole first part of the story to her childhood in Sweden, has indeed innovated, but to operate a complexification of the elements that unite his work and insert them into a long trajectory of belonging that unites national and foreign, tradition and new. Through this trajectory of the protagonist Edna, we see land as the organizing axis of the novel, from her deep crisis of non-belonging in youth to her perspective, facing the new, crossing the sea and invading full the known conflict between tradition and change, endowing it with a new look. Dedicating an attentive reading, as Mário de Andrade did, we can see how these elements construct a tangle of trajectories and perspectives in which earth, tradition, the new, the foreigner and the search to