ARTE FÍSICA: MUTAÇÕES GEOGRÁFICAS: FRONTEIRA VERTICAL O crescimento poético do Yaripo, por Cildo Meireles MENDES, MARIA CRISTINA Professora do curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Ponta Grossa, DEARTES/ UEPG. Doutorado (2014) e Mestrado (2010) em Comunicação e Linguagens na Universidade Tuiuti do Paraná. Especialização em História da Arte do século XX (2000) e Graduação em Pintura (1984) na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Membro da SOCINE e da ANPAP. Participa dos grupos de pesquisa INTERART - Interação entre arte, ciência e educação: diálogos e interfaces com as Artes Visuais, na UEPG, e Educação, Trabalho e Sociedade, na UTP/PR. Desenvolve pesquisa em Poéticas Artísticas. mariacristinamendes1@gmail.com 1. Introdução Olha a democracia imperante nessa equação, a atração da gravidade chegou atrasada à extrema gravidez da situação, por vir praticando os círculos reflexivos em todo o largo do percurso vivo. Paulo Leminski (2010, pp.107-108). Em 2002, Cildo Meireles (1948) proferiu três palestras no Ateliê de Criação Teatral, espaço criado por Luiz Alberto Melo, ator curitibano reconhecido nacionalmente, para fomentar a cultura local. Nas conversas, Meireles divertiu os ouvintes ao narrar o assalto sofrido em um ônibus carioca, quanto tinha no bolso apenas notas de Zero dólar i ; discorreu sobre a produção industrial a partir das garrafas de coca-cola ii e mencionou a existência de trabalhos não realizados: um aumentava em um centímetro a altura do Brasil, colocando uma pedra no seu pico mais alto; outro fazia voltar o tempo em hipotéticas circum-navegações anti-horárias, próximas ao pólo norte. A vontade de subverter aa geografia e fazer voltar o tempo pareciam indicar a inviabilidade de ambos os projetos, destinados a permanecer no plano das ideias. Esta pesquisa tem por meta desvelar alguns possíveis sentidos da ação: Arte física: mutações geográficas: fronteira vertical, um dos trabalhos mencionados por Meireles nas palestras em Curitiba. A obra, registrada em papel milimetrado no ano de 1969, é realizada entre 2014 e 2015, para o 34° Panorama da Arte Brasileira – Da pedra Da terra Daqui. A exposição do Museu de Arte Moderna de São Paulo reúne cerca de sessenta zoólitos iii e obras de seis artistas contemporâneos brasileiros iv . Ao tomar a ideia de território como ponto de partida, a mostra propõe a possibilidade de se pensar o Brasil de modo simultaneamente contemporâneo e ancestral. Os objetos pré-históricos incitam discussões contemporâneas ao colocar em pauta, entre outros fatores, critérios das demarcações geopolíticas do país, os quais se estruturam mais por questões históricas do que por imperativos da natureza.