Services on Demand Article Article in xml format Article references How to cite this article Curriculum ScienTI Automatic translation Send this article by email Indicators Cited by SciELO Access statistics Related links Share More More Permalink Revista Brasileira de Psiquiatria Online version ISSN 1809452X Rev. Bras. Psiquiatr. vol.21 n.3 São Paulo Sept. 1999 http://dx.doi.org/10.1590/S151644461999000300014 Livros Tecendo a rede: trajetórias da saúde mental em São Paulo 19891996 Por Maria Cláudia Tedeschi Vieira, Maria Cristina Gonçalves Vicentin e Maria Inês Assumpção Fernandes (editoras). 1999. Taubaté: Cabral Editora Universitária, 332 páginas. A publicação deste livro efetuou uma tentativa sincera e ousada dos organizadores de desenhar, por meio de registros, as experiências e reflexões de profissionais comprometidos com a reorientação de um modelo de atenção à saúde mental, com a construção de uma determinada rede de estudos. A fase delimitada (19891996) reflete sobre as propostas em saúde mental no Município de São Paulo, no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde, a partir da Proposta do Modelo Integral em Saúde Mental (1989), que contou com a criação de equipes e projetos, constituindo uma rede que se refere aos diversos equipamentos que devem se combinar ou se complementar para que a populaçãoalvo seja atendida de acordo com a fase ou gravidade de sua moléstia, como também de acordo com suas necessidades ou perspectivas de uso desses equipamentos. Além das concepções de saúde mental aplicadas aos serviços de saúde pública, esse modelo é direcionado à política de saúde do município, de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), orientado genericamente pela democratização da saúde no país por meio de características como a universalidade dos atendimentos e a descentralização das ações, criando, assim, medidas territoriais e medidas de racionalização dos serviços. Habituados aos processos de descontinuidade política nos serviços públicos e à escassez de publicações dessas experiências, notase que o livro é o resultado de um encontro ainda incomum no nosso meio: universidade e instituições públicas. De um lado a universidade representada por dois importantes institutos de psicologia: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, que, através de um projeto de extensão universitária apoiado pela Faculdade de Psicologia e pelo Conselho de Ensino e Pesquisa (Cepe), cria, no período de agosto a dezembro de 96, o Ateliê de Textos dos Trabalhadores de Saúde Mental, com o objetivo de possibilitar a produção e publicação de textos relativos à experiências dessa área em São Paulo; e o Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, através do Laboratório de Psicanálise e Psicologia Social (Lapso), que objetiva a formação e pesquisa dirigida às experiências públicas em saúde mental. De outro lado, profissionais envolvidos em múltiplas experiências desenvolvidas no processo de construção da rede municipal de saúde mental, profissionais das instituições públicas vivendo experiências concretas apoiados num trabalho de equipe, de sustentação teórica e idéias da reforma psiquiátrica. Este encontro se dá numa fase crítica – reestruturação dos serviços frente a um novo projeto político – daí a importância da ancoragem e sustentabilidade da universidade comprometida com a formação de pessoal e produção de conhecimento, possibilitando a fotografia dessas memórias, registro talvez da construção de uma nova cultura, ou, minimamente, da análise cuidadosa e detalhada dessa experiência.