o MODELO EURO-AMERICANO DE MODERNIZAÇÃO AGRÍCOLA Ademar Ribeiro Romeiro' 1 INTRODUÇÃO Este artigo trata, a partir de uma perspectiva histórica, dos condicionantes sócio-econômicos, institucionais e ecológicos do que chamamos de Modelo Euro- Americano de Modernização da Agricultura, que se difundiu em nível mundial, espe- cialmente a partir dos Anos 60, no âmbito da chamada "Revolução Verde". O que procuramos mostrar, por um lado, são os condicionantes sócio-ecônomicos e institu- cionais da tendência observada de generalização da monocultura. Por outro lado, procuramos deixar claro de que modo os impactos ecológicos provocados pela mono- cultura tendem a definir o padrão tecnológico deste modelo de modernização agrícola. Como conclusão podemos dizer que as atuais práticas agrícolas consideradas como modernas não foram a única resposta técnica e economicamente eficiente para aumentm a produtividade do trabalho e os rendimentos da terra, de modo a fazer face às necessidades impostas pelo crescimento demográfico e pelo processo de urbanização. O que chamamos de Modelo Euro-Americano de Modernização Agrícola é o sistema de produção que tomou viável a difusão em larga escala da prática da monocultura. Este sistema é bascado na utilização intensiva de fertilizantes químicos combinados com sementes selecionadas de alta capacidade de resposta a este tipo de fertilização, no uso de processos mecânicos de reestruturação e condicionamento de solos degradados pela monocultura e no emprego sistemático de controle químico de pragas. Desse modo, a generalização deste modelo plenamente desenvolvido somente se tomou possível após a consolidação da Revolução Industrial no final do Século XIX e começo do Século XX. No entanto, ao longo de todo o Século XIX, na Europa já se observava em muitas regiões uma clara tendência das práticas agrícolas evoluírem nesta direção, apesar do sucesso do sistema de rotação de culturas de tipo Norfolk, cuja difusão foi chamada por muitos autores de Primeira Revolução Agrícola. Este sistema de rotação, apesar de apresentar uma certa flexibilidade na combinação de culluras, era muito restritivo para os agricultores que praticavam uma agricultura espcculativa, procurando produzir apenas o produto mais rentável, principalmente os cereais. O grande obstáculo encontrado por estes agricultores, para praticar a monocultura total, se desvenci- lhando da criação animal e do plantio de forrageiras, era o problema da manutenção da • Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Nova Economia IBelo Horizonte Iv. 21 n. 2 Inovo 1991. 175