DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v8i2.8201 Cienc Cuid Saude 2009 Abr/Jun; 8(2):213-219 PERCEPÇÕES DOS ENFERMEIROS DE UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA SOBRE O PROCESSO SAÚDE-DOENÇA 1 Gláucia Costa Degani* Silvia Helena Henriques Camelo** RESUMO A Saúde da Família desponta como uma das estratégias assumidas pelo Ministério da Saúde com vista à reorganização da atenção básica à saúde. Enquanto membros da equipe de saúde da família, os enfermeiros necessitam de conhecimentos abrangentes sobre o processo saúde-doença e seus determinantes, a fim de atender às múltiplas exigências do seu trabalho e prestar assistência de qualidade às famílias. O trabalho teve como objetivo identificar, através da percepção dos enfermeiros de unidades de Saúde da Família, o conhecimento sobre o processo saúde-doença. Este estudo, do tipo exploratório, utilizou-se da abordagem qualitativa, modalidade temática, e dele participaram quatro enfermeiros. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e a análise do material foi executada com seu agrupamento em dois temas centrais: "Desvelando o conceito de saúde na percepção dos enfermeiros" e "Apreendendo a concepção de doença dos enfermeiros". Os enfermeiros demonstraram conhecimento sobre o conceito ampliado de saúde e a doença foi caracterizada como o oposto de saúde, sendo manifestada por sinais e sintomas. O distanciamento entre teoria e prática foi relatado como um problema a ser enfrentado. Neste sentido, fazem-se necessárias estratégias para se discutir o processo saúde-doença e intervir nas necessidades de saúde da população. Palavras-chave: Enfermagem. Saúde da Família. Processo Saúde-Doença. INTRODUÇÃO A Estratégia de Saúde da Família (ESF) despontou em 1994 como uma das estratégias assumidas pelo Ministério da Saúde com o propósito de reorientar o modelo tradicional de assistência, dando ênfase à Atenção Básica e à definição de responsabilidades entre o sistema de saúde e a população (1) . Suas funções vão desde gerar/obter dados de saúde, produzir informações e intervir sobre as necessidades da família, até organizar o processo de trabalho em equipe (2) . Do mesmo modo, este modelo de atenção à saúde muda o enfoque da assistência para promoção de saúde e consequente melhora da qualidade de vida (1) . Para atuar de forma a atender aos requisitos desta estratégia é indispensável que o profissional promova a formação de um vínculo entre ele e a população assistida, a fim de identificar as pessoas de risco em seu contexto social e familiar, sob o entendimento de que a grande maioria das adversidades não é provocada por agentes microbiológicos, mas por nós mesmos, pela forma como a sociedade se organiza (3) . Nesta nova perspectiva, é fundamental a estruturação de equipes multiprofissionais que correspondam às necessidades de saúde da população, por meio de atribuições preestabelecidas. Os membros das equipes de Saúde da Família possuem funções específicas, as quais demandam um alto grau de exigências e responsabilidades. Aos enfermeiros cabem atividades como o monitoramento das condições de saúde, o levantamento e acompanhamento dos problemas identificados e o exercício de uma prática de enfermagem comunicativa, buscando a ampliação da autonomia dos sujeitos (4) . Falar das práticas de enfermagem pressupõe o entendimento de que a enfermagem, enquanto prática social, busca responder às exigências de saúde de uma determinada época e segmento da sociedade (5) . No decurso das atividades desenvolvidas, a realidade da comunidade fica mais próxima e os problemas são de diversas ordens, tornando-se ____________________ 1 Artigo extraído do Trabalho de Iniciação Científica desenvolvido no Centro Universitário Barão de Mauá de Ribeirão Preto – SP. *Enfermeira. Mestranda pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (EERP/USP). E-mail: glau_degani@yahoo.com.br **Enfermeira. Doutora. Professora do Curso de Graduação em Enfermagem do Centro Universitário Barão de Mauá Ribeirão Preto-SP. E-mail: jscamelo@uol.com.br