1 Televisão Digital e Interactiva: a modelação social como variável na avaliação de usabilidade Célia Quico TV Cabo/ PT Multimédia Avenida 5 de Outubro, 208, 1069-203 Lisboa, Portugal celia.quico@netcabo.pt Manuel José Damásio Departamento de Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Campo Grande, 376, 1749-024 Lisboa, Portugal mjdamasio@ulusofona.pt ABSTRACT/RESUMO Este paper introduz e descreve o conceito de modelação social e respectiva importância para o desenho de interfaces em televisão digital e interactiva. Com base nos dados recolhidos através de dois estudos realizados em Portugal por um operador de Televisão interactiva, pretende-se analisar a importância que as variáveis sociais e culturais têm para a avaliação de interfaces em iTV, bem como definir um modelo que ligue a experiência do meio com as variáveis culturais próprias dos consumidores. Palavras-Chave Modelação social, avaliação, usabilidade, perfis Palavras de Classificação ACM H5.m. Information interfaces and presentation Miscellaneous. INTRODUÇÃO Ao longo das últimas décadas, a expressão “design de interacção” passou a ser utilizada para descrever a experiência de relacionamento entre um utilizador e um sistema computacional [1]. Num ambiente cada vez mais saturado com diferentes media, são várias as tecnologias, entre as quais os media tradicionais, que competem pela nossa atenção. O design de qualquer aplicativo deve sempre ter esta competição em linha de conta. Uma aplicação computacional já não se limita a ser um simples canal para o fornecimento e manipulação de informação. Qualquer aplicação tem de proporcionar uma experiência. Os contornos exactos de uma experiência multimédia são objecto de permanente discussão, mas a adaptabilidade do meio às circunstâncias de consumo e ao posicionamento relativo do utilizador, constituem cada vez mais variáveis essenciais dessa experiência [1]. O nosso trabalho parte desta constatação inicial de que um artefacto digital bem sucedido é aquele que não é simplesmente utilizado ou operado, mas antes aquele que os utilizadores experimentam. Assim, desenhar um artefacto digital, nomeadamente um aplicativo para televisão digital interactiva, é antes de mais um trabalho de coreografia da experiência do utilizador e de levantamento das circunstâncias da mesma. De entre estas circunstâncias, as variáveis culturais e sociais são aquelas que mais determinam as formas de apropriação do meio. O nosso trabalho pretende isolar estas variáveis e definir um modelo de aplicação das mesmas às diferentes estratégias de design para televisão digital interactiva (iDTV). Neste paper são apontados vários dados estatísticos que suportam estes pressupostos e que nos permitem definir o conceito de modelação social. DESIGN DE USABILIDADE PARA TELEVISÃO DIGITAL INTERACTIVA A materialização comercial com sucesso da iDTV vem há muito sendo prometida, mas teima em dificilmente ser alcançada. Entre as principais razões para tal, está a relativa imaturidade da maior parte das tecnologias disponíveis, os altos custos de desenvolvimento inerentes ao lançamento em larga escala de novos serviços e a aplicação excessiva de variáveis próprias dos Pc’s ao design dos interfaces e aplicativos específicos da nova tecnologia [2]. Os procedimentos tradicionais de avaliação de usabilidade seguem uma lógica pragmática orientada para objectivos relacionados com o ambiente de trabalho que caracteriza o uso do Pc, e confunde a qualidade da performance do sistema com a satisfação do utilizador [4]. Estas aproximações centradas na execução de tarefas, não são eficazes para a avaliação de medias tão ricos como a iDTV e não consideram a importância que a modelação social, aqui entendida como o conjunto das variáveis culturais que determinam o volume e forma de uso de um media que um grupo limitado de utilizadores partilha entre si, tem para a satisfação dos utilizadores destas tecnologias. A percepção de usabilidade de qualquer produto está intrinsecamente associada à carga cultural do seu utilizador. Esta pesquisa ganha forma em torno de conceitos como os de “internacionalização” e “localização”, resultando daí técnicas de estudo de utilizadores, ou de delimitação das