DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v12i1.16319 Cienc Cuid Saude 2013 Jan/Mar; 12(1):096-103 _______________ *Enfermeira.Doutora em Enfermagem.Professora Assistente da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Membro do Grupo CRESCER (EE/UFBA). Autora responsável: aisicedraz@hotmail.com. **Enfermeiro. Enfermeiro Assistente da Pediatria do Hospital Regional de Irecê. Email: waraujo_09@yahoo.com.br ***Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação de Enfermagem da EE/UFBA, Professora Assistente da UEFS. Membro do Grupo CRESCER (EE/UFBA). E-mail: julidefreitas@hotmail.com. ****Enfermeira. Pós-Doutora em Sociologia da Saúde (Université Rene Descartes-Sorbonne Paris V). Professora da EE/UFBA. Líder do Grupo de Pesquisa CRESCER (EE/UFBA). E-mail: climenecamargo@hotmail.com O QUE PENSAM OS PAIS SOBRE ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AOS PREMATUROS EM UTI NEONATAL? Aisiane Cedraz Morais* Welvys Carvalho Araújo** Juliana Freita de Oliveira Miranda** Climene Laura de Camargo**** RESUMO O cuidado de enfermagem a recém-nascidos prematuros (RNPT) deve ser diferenciado, pois implica garantir assistência individualizada a uma criança com peculiaridades, incluindo sua família. Objetivos: compreender a percepção dos pais de RNPT sobre a assistência de enfermagem em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), assim como identificar aspectos inerentes a essa assistência. Metodologia: Estudo qualitativo, exploratório e descritivo, realizado na UTIN de hospital público do município de Feira de Santana – BA. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com nove pais, examinadas segundo análise de conteúdo de Bardin. Resultados: Os pais percebem a assistência de enfermagem atrelada aos procedimentos técnicos, além de identificarem condutas humanizadas pela forma como tocam e conversam com as crianças. Evidencia-se que os profissionais realizam os procedimentos com responsabilidade, demonstrando ainda carinho e afeto. Emergiu a percepção de que os pais confiam na equipe e que adotam a evolução da criança como parâmetro de avaliação do cuidado. Conclusões: Reforça-se a necessidade dos profissionais de enfermagem das UTIN incorporarem o cuidado humanizado, individual e centrado na família. Palavras-chave: Unidades de Terapia Intensiva Neonatal. Cuidados de Enfermagem. Prematuro. Pais. INTRODUÇÃO A necessidade de hospitalização numa Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) implica admitir o RNPT num espaço bastante diferente do ambiente intrauterino, repleto de equipamentos e recursos tecnológicos, onde receberá cuidados especiais para a sua sobrevivência e o seu bem-estar. Para os pais, a UTIN representa tanto a esperança de recuperação como também o receio de perder um filho. Os pais com filhos internados nesse tipo de unidade vivenciam emoções como medo, angústia, ansiedade, solidão, que se entremeiam, por outro lado, com a fé, alegria e esperança. Diante desses sentimentos, a equipe de profissionais da UTIN deve prestar os cuidados necessários à recuperação e bem-estar do neonato, aliando-os ao cuidado humanístico e incentivando a relação família-bebê (1) . Considerando o tempo prolongado de internamento de um RNPT, a melhor abordagem de assistência seria aquela centrada na criança e família, de modo que suas demandas sejam os principais determinantes das intervenções, ressaltando ainda que a hospitalização pode ser um trauma, tanto para a criança, como para sua família (2) . A Enfermagem, por ser a profissão de saúde que permanece em contato direto com o paciente e família, deve se preocupar com um cuidar direcionado para as questões emocionais e conforto dos indivíduos; não permitindo que a sobrecarga de atividades, o alto nível de tensão, com um ritmo de trabalho intenso e exaustivo, constituam fatores negativos para a prática do cuidado humanizado, individualizado e centrado na família. A internação do prematuro na UTIN é uma situação de crise para toda a família, pois além de ser um ambiente estranho e assustador, soma- se o fato de o bebê real ser diferente do imaginado. Assim, a família vive uma tensão entre a aproximação e o distanciamento do bebê