377 377 ISSN 0103-4235 ISSN 2179-4448 on line Alim. Nutr., Araraquara v. 23, n. 3, p. 377-386, jul./set. 2012 HÁBITOS ALIMENTARES DE PRÉ-ESCOLARES: A INFLUÊNCIA DAS MÃES E DA AMAMENTAÇÃO* Aline Sanches OLIVEIRA** Viviane Aparecida Porto da SILVA** Jucimara de Jesus ALVES** Dargiane FAGUNDES** Ivy Scorzi Cazelli PIRES*** Lucilene Soares MIRANDA*** * Trabalho elaborado com apoio nanceiro da FAPEMIG, CNPq, UFVJM e CAPES. ** Curso de Graduação em Nutrição - Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) – 39100-000 – Diamantina – MG – Brasil. *** Departamento de Nutrição – Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) – 39100-000 – Diamantina – MG – Brasil. E-mail: ivycazelli@gmail.com. RESUMO: Objetivou-se avaliar a inuência da alimenta- ção das mães, características da amamentação e introdução de novos alimentos nos hábitos alimentares de pré-esco- lares em Diamantina – MG. Os dados de 134 crianças na faixa etária de 4 a 6 anos e suas respectivas mães foram analisados através de correlação de Pearson (p<0,05) e estatística descritiva. Observou-se que, na maioria das fa- mílias, mães e lhos realizam suas refeições nos mesmos horários (r=0,40) (p<0,01). Também foi encontrada corre- lação positiva média quanto à consequência pós-ingestão, rejeição por sabor, preferência e rejeição de textura entre mães e lhos (r=0,48), (r=0,47), (r=0,33), (r=0,54), res- pectivamente (p<0,01). Não houve correlação signicativa entre o aleitamento materno exclusivo ou da forma de in- trodução de alimentação complementar com a frequência atual de consumo dos grupos alimentares (p>0,05). Hábitos alimentares das mães, tais como a realização de refeições nas residências e em tempo adequado, exercem inuência positiva sobre os hábitos de seus lhos. Palavras-chave: Hábitos alimentares; amamentação; pré- escolares; mães. INTRODUÇÃO A alimentação da criança desde o nascimento e nos primeiros anos de vida tem repercussões ao longo de todo o seu crescimento e do seu desenvolvimento. 41 Práticas alimentares inadequadas podem levar ao aparecimento de diversas patologias como diabetes tipo II, cardiopatias, sín- drome metabólica e outras comorbidades associadas aos altos e crescentes índices de obesidade observados entre crianças e adultos. 11 As escolhas dos pais sobre a alimentação inuen- ciam as experiências de seus lhos, já que estes são seus dependentes. Estas escolhas incluem quando irão se ali- mentar, os contextos em que se alimentarão, quais alimen- tos e tamanhos de porções que serão colocados à disposição das crianças e as práticas que serão utilizadas para promo- ver ou desencorajar sua alimentação. 47 Segundo Puhl & Schwartz, 30 os pais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento dos hábitos alimentares e preferências das crianças. Muitos tentam inuenciar seus lhos ditando regras sobre quais alimentos podem ser consumidos e em quais horários. Algumas regras podem limitar o acesso aos alimentos, enquanto outras podem incentivar a alimentação ou obter um comportamento desejado. Tais regras são capazes de inuenciar na vida adul- ta, 30 já que desde os primeiros anos de vida o controle do consumo alimentar se faz complexo, uma vez que se apren- de a comer em resposta a presença de alimentos saborosos, ao ambiente social, ao estado emocional, atitudes, conheci- mentos e crenças sobre nutrição e ao ato de se alimentar. 8 Segundo Birch, 8 poucas preferências por alimentos e sabores são inatas. A maioria é aprendida através da expe- riência com o alimento e o ato de comer e está condicionada ao ambiente de alimentação da criança, especialmente no que se refere ao contexto social e às consequências sioló- gicas da ingestão, o que leva as crianças a aceitarem alguns alimentos e a rejeitarem outros. Deve-se ressaltar que as cores dos alimentos podem inuenciar no sabor, estimulan- do ou não o apetite, 13 assim como a textura. Esta deve ser monitorada, uma vez que os pais possuem o hábito de intro- duzir alimentos menos consistentes na dieta infantil. 25 Embora os indivíduos apresentem diferenças quanto às preferências por sabor e alimentos, a fonte de tais dife- renças ainda permanece um mistério. Uma explicação é o fato de o uido amniótico representar a primeira exposição da criança aos sabores, que posteriormente serão transmi- tidos pelo leite materno e pela alimentação, o que pode ser a base das diferenças individuais na aceitabilidade de ali- mentos por toda a vida. 6,26 De acordo com Sullivan & Birch, 42 as propriedades sensoriais do leite materno permitem o primeiro contato da criança com sabores e odores variados, fazendo com que