Filol. Linguíst. Port., São Paulo, v. 20, n. 2, p. 153-174, ago./dez. 2018 http://dx.doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v20i2p153-174 e-ISSN 2176-9419 Leitura crítico-filológica de Resolução de 1822: revoltas, vigilância, violência e punição na Bahia do século XIX Critical-philological reading of Resolution of 1822: revolts, surveillance, violence and punishment in 19 th century Bahia Eliana Correia Brandão Gonçalves * Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil Resumo: O artigo apresenta um estudo crítico-filológico, a partir da edição semidiplomática e dos comentários paleográficos, da Resolução de 1822, procedente de Cachoeira – Bahia, que registra a necessidade de gestão do controle social da população negra no Brasil, com vistas à repressão dos movimentos de revoltas escravas. Cachoeira foi um dos núcleos urbanos mais importantes do Recôncavo Baiano no século XIX e, portanto, palco de constantes sublevações de escravos. Decerto, os nossos heróis negros deixaram, nos registros jurídicos, vestígios de luta e resistência, visto que representavam um problema de segurança, que demandava vigilância e medidas legais por parte do governo imperial e provincial. Essas medidas legais dialogam com as reivindicações sociais e políticas, por parte daqueles que executavam ações violentas e punitivas, em relação aos frequentes atos de enfrentamento e resistência promovidos pelo povo negro. Nesse viés, a atividade filológica de editar textos sobre as revoltas na Bahia requer uma pesquisa criteriosa e argumentativa. E, portanto, é preciso escavar a memória dos grupos oprimidos e lembrar os corpos dissidentes, descontentes e silenciados pelos contextos de escravatura, propondo a reflexão dessas narrativas a partir da crítica-filológica. Palavras-chave: Filologia. Paleografia. Crítica Textual. Revoltas escravas. Vigilância e violência. Abstract: This article presents a critical-philological study, from the semidiplomatic edition and the paleographic comments, of Resolution 1822, from Cachoeira - Bahia, which records the need for management of social control of the black population in Brazil, with a view to repression of the movements of slave revolts. Cachoeira was one of the most important urban centers of the Recôncavo Baiano in the nineteenth century and, therefore, the scene of constant uprisings of slaves. Certainly, our black heroes left vestiges of struggle and resistance in the legal records, since they represented a security problem that demanded vigilance and legal measures by the imperial and provincial government. These legal measures dialogue with the social and political demands, by those who carried out violent and punitive actions, in relation to the frequent acts of confrontation and resistance promoted by the black people. In this bias, the philological activity of editing texts about the revolts in Bahia requires careful and argumentative research. And so it is necessary to dig the memory of the oppressed groups and to remember the * Professora Adjunta do Departamento de Fundamentos para o Estudo das Letras - Setor de Filologia do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia e Professora Permanente do PPGLinC - UFBA, Salvador, BA, Brasil; elianabrand7@gmail.com