99 Unoesc & Ciência - ACBS Joaçaba, v. 9, n. 1, p. 99-104, jan./jun. 2018 RELATO DE CASO: EPILEPSIA NÃO DETERMINADA 1 Paula Brustolin Xavier 2 Naiane Ribeiro Prandini 3 RESUMO A evolução das políticas públicas em saúde mental, iniciada por movimentos sociais em 1990, foi gradual. Em 2000 a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) foi ampliada, dispondo de equipamentos como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) que atende indivíduos com transtornos mentais. Em um dos Centros de Atenção Psicossocial da Cidade de Curitiba ocorreu o atendimento de usuária com quadro de crises epiléticas mensais e distúrbio psiquiátrico associa- do há cerca de 40 anos, ambos sem acompanhamento efetivo, e que resultou neste estudo de caso. Com intervenção multidisciplinar e intersetorial alcançou-se o estado de melhora das crises epiléticas, bem como estabilização do quadro psiquiátrico. Conclui-se que é de extrema importância a articulação entre os setores do Sistema de Saúde em prol do usuário. Palavras-chave: Saúde mental. Transtorno psiquiátrico. Epilepsia. 1 INTRODUÇÃO Em razão do impulso proferido pela movimentação social na década de 1980 no Brasil, modificou-se e am- pliou-se a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que possui como um de seus dispositivos os Centros de Atenção Psi- cossocial (Caps), que minimizam os riscos de pacientes com transtornos mentais, otimizam as potencialidades de seus usuários e lhes prestam cuidado holístico (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005, p. 3). O Caps objetiva estimular a socialização, fortalecer a autonomia, o valor e a inserção social do indivíduo, pres- tar atendimento diário, ser substitutivo à internação psiquiátrica e articular a rede de atenção às pessoas com transtornos mentais nos municípios (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005, p. 27). Segundo a Portaria/GM n. 336, de 19 de fevereiro de 2002, os Caps são classificados em: a) Caps I: para municípios com população de 20 a 70 mil habitantes; b) Caps II: para municípios com população entre 70 mil e 200 mil habitantes; c) Caps III: para municípios com população com mais de 200 mil habitantes; d) Caps ad: serviço especializado para usuários de álcool e drogas para municípios de 70 a 200 mil habitantes; e) Caps i: especializado no cuidado a crianças, adolescentes e jovens (até 18 anos). Para municípios com po- pulação acima de 200 mil habitantes (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002). Por intermédio da multi e interdisciplinaridade e da intersetorialidade, os Caps buscam atender a população no manejo de crises psiquiátricas agudas ou problemas psiquiátricos crônicos e articular e integrar o cuidado em saúde mental (FEAES). O relato de caso aqui apresentado surgiu do interesse das autoras em relatar a experiência vivida no atendimen- to e acompanhamento de usuária atendida em Caps III com transtorno mental e crise epilética associados, sem trata- mento efetivo há longo período e com limitação e prejuízo nas atividades cotidianas, autonomia e relações interpessoais. 1 Este trabalho foi apresentado em Congresso Internacional de Saúde Mental em Irati, PR, em 2017, no formato de pôster. 2 Professora na Universidade do Oeste de Santa Catarina; paula.xavier@unoesc.edu.br 3 Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal do Paraná; naia-ribeiro@hotmail.com