DOI: 10.4025/cienccuidsaude.v10i4.18319 Cienc Cuid Saude 2011; 10(4):746-754 _______________ 1 Artigo originado do projeto multicêntrico DIFAI - Dinâmica da família de idosos mais idosos: o convívio e cuidados na quarta idade nos contextos Florianópolis, SC; Palmeira das Missões, RS; Jequié, BA; Belém, PA; e Porto, Pt. Financiado: Edital MCT/CNPq/14/2008–Universal, proc. 474154/2008-4. * Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Profa. Titular aposentada e docente voluntária participante da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Pós-Graduação em Enfermagem. Membro do Grupo de Estudos sobre Cuidados de Saúde de Pessoas Idosas (GESPI). E-mail: lucia.takase@pq.cnpq.br **Engenheira. Doutora em Ciências Estatísticas e da Computação. Docente da UFSC/Centro Tecnológico/ LEA – Laboratório de Estatística Aplicada. E-mail: silvia@inf.ufsc.br *** Enfermeira. Especialista em Saúde da Família. Coordenadora do Departamento de Integração Ensino e Serviço em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis. E-mail: franciscadaussy@pmf.sc.gov.br **** Enfermeira. Doutora em Educação/Gerontologia. Profa. Associada do Departamento de Enfermagem da UFSC. Líder do GESPI. E-mail: silvia@ccs.ufsc.br ***** Enfermeira. Doutora em Filosofia da Enfermagem . Profa. Associada do Departamento de Enfermagem da UFSC. Membro do Comitê Assessor para o Desenvolvimento de Projeto Pedagógico do UFSC/NETI (Núcleo de Estudos da Terceira Idade). Co-líder do GESPI. E-mail: alvarez@ccs.ufsc.br. O CONVÍVIO FAMILIAR DO IDOSO NA QUARTA IDADE E SEU CUIDADOR 1 Lucia Hisako Takase Gonçalves* Silvia Modesto Nassar** Maria Francisca dos Santos Daussy*** Silvia Maria Azevedo dos Santos**** Angela Maria Alvarez***** RESUMO O atual fenômeno de prolongamento da vida entre idosos de modo a chegarem aos 80 anos ou mais não constitui um fato excepcional, porém a tal condição associa-se fragilização pelo envelhecimento, tornando-os mais vulneráveis a várias circunstâncias, constituindo-se um subestrato de idosos da quarta idade que amiúde necessita de cuidados de outrem. Assim, objetivou-se conhecer os padrões de funcionamento das famílias no convívio e cuidados cotidianos de idosos mais velhos no contexto de Florianópolis, SC. O estudo consiste de uma pesquisa diagnóstico-avaliativa pelo método de questionamento entre idosos de 80 e mais anos, dependentes de cuidados e de seus respectivos familiares cuidadores, selecionados entre os inscritos nas unidades de Estratégia de Saúde da Família para avaliar a dinâmica familiar pelo Family APGAR, a qualidade de vida pelo WHOQOL e o estilo de vida pela Escala de Nahas. Em sua maioria, os idosos avaliaram sua família como de boa funcionalidade, embora esse dado deva ser visto com reserva, pois, na avaliação tanto da qualidade de vida de ambos quanto do estilo de vida dos cuidadores, as respostas recaíram sobre um nível mediano, denotando certa dificuldade de enfrentamento em família com situações prolongadas de cuidado de idosos da quarta idade. Palavras-chave: Idoso de 80 Anos ou mais. Familia. Cuidadores. Enfermagem. INTRODUÇÃO O Brasil vem demonstrando um perfil populacional do tipo de transição demográfica (1) que sinaliza rápido aumento do estrato idoso (de 60 e mais anos), tendo atingido 12,33% (2) da população total (2010). Conforme projeções estatísticas, esse percentual se aproximará de 30% em 2050 (3) , o que significa, do ponto de vista das políticas públicas e sociais, solução difícil para contemplar adequadamente as peculiaridades emergentes dessa população e da população em geral, caso a situação não seja tomada a sério com antecipação (3,4) . No contingente de pessoas idosas evidencia- se o fenômeno do prolongamento da vida, que nas últimas décadas tem chegado aos 80 anos ou mais (1) . Não obstante, a longevidade humana se associa geralmente à fragilização pelo envelhecimento, tornando o idoso mais vulnerável às diversas circunstâncias de vida e saúde, constituindo-se em um subestrato de idosos da quarta idade. No contexto brasileiro, estima-se que 85% dos idosos apresentem no mínimo uma doença crônica, dos quais pelo menos 10% em condições de comorbidade (1,4,5) . Desse modo, a atual prevalência de doenças crônicas e longevidade tem contribuído para aumentar o número de idosos com limitações