41 VOL. 28, N. o 1 — JANEIRO/JUNHO 2010 Automedicação Maria Isabel Ribeiro é professora adjunta do Instituto Politécnico de Bragança. Alexandrina Oliveira é estudante do 4. o ano da licenciatura em Farmácia. Hugo Silva é estudante do 4. o ano da licenciatura em Farmácia. Márcia Mendes é estudante do 4. o ano da licenciatura em Farmá- cia. Marta Almeida é estudante do 4. o ano da licenciatura em Farmá- cia. Tânia Silva é estudante do 4. o ano da licenciatura em Farmácia. Submetido à apreciação: 4 de Março de 2009 Aceite para publicação: 22 de Maio de 2009 Prevalência da automedicação na população estudantil do Instituto Politécnico de Bragança MARIA ISABEL RIBEIRO ALEXANDRINA OLIVEIRA HUGO SILVA MÁRCIA MENDES MARTA ALMEIDA TÂNIA SILVA A automedicação é uma prática habitual nos dias de hoje, sendo definida como uma forma comum de auto-atenção à saúde, consistindo no consumo de um produto sem prescri- ção médica. Este estudo teve como objectivo determinar a prevalência da automedicação nos alunos que frequentam o ensino superior público no Distrito de Bragança. Os dados foram recolhidos através de um questionário durante o mês de Novembro de 2008. A amostra é constituída por 225 indi- víduos, de uma população total de 4168 alunos. Os dados foram sujeitos a tratamento estatístico através do pro- grama SPSS 16.0 (Statistical Package for Social Sciences). A prevalência da automedicação é de 90,7% e destes apenas 117 (57,4%) têm conhecimentos sobre os efeitos adversos dos medicamentos. As principais razões que levaram à automedicação foram as dores em geral, principalmente, a dor de cabeça, a febre, as tonturas e o sono. Os medicamen- tos mais utilizados foram o Paracetamol (Ben-u-ron) e o Ibuprofeno (Brufen). Palavras-chave: automedicação; uso de medicamentos; ensino superior público; estudantes 1. Introdução Considerado um fenómeno mundial e em cresci- mento (Simões e Filho, 1988; Lopes, 2001) a auto- medicação pode definir-se como a responsabilização do indivíduo pela melhoria da sua saúde. O cerne da questão reside no facto dos doentes generalizarem esta prática a todas as situações de doença e julgarem ser possuidores dos conhecimentos necessários para o seu uso de forma segura. Arrais et al. (1997), Cerqueira et al. (2005) e Tomasi et al. (2007) definem a automedicação como um procedimento caracterizado, fundamentalmente, pela iniciativa de um doente, ou o seu responsável, sem prescrição profissional, obter e utilizar um produto que acredita lhe trará benefícios no tratamento de doenças ou alívio de sintomas. Na opinião de Segall (1990) e Filho et al. (2002) são várias as formas da automedicação ser praticada, nomeadamente, adqui- rir o medicamento sem receita médica, compartilhar remédios com outros membros da família ou conhe- cidos, reutilizar antigas receitas e não cumprir a pres- crição profissional.