FLORESTA, Curitiba, PR, v. 47, n. 2, p. 137 - 144, abr. / jun. 2017. Martini, A. et al. ISSN eletrônico 1982-4688 DOI: 10.5380/rf.v47i1.49518 137 ANÁLISE MICROCLIMÁTICA DAS DIFERENTES TIPOLOGIAS DE FLORESTA URBANA DE CURITIBA Angeline Martini 1* , Daniela Biondi 2 , Antonio Carlos Batista 2 , Demóstenes Ferreira da Silva Filho 3 1* Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Engenharia Florestal, Viçosa, Minas Gerais, Brasil - martini@ufv.br 2 Universidade Federal do Paraná, Departamento de Ciências Florestais, Curitiba, Paraná, Brasil - dbiondi@ufpr.br; batistaufpr@ufpr.br 3 Universidade de São Paulo, Departamento de Ciências Florestais, Piracicaba, São Paulo, Brasil – dfilho@usp.br Recebido para publicação: 01/12/2016 – Aceito para publicação: 13/06/2017 Resumo A vegetação é um dos elementos essenciais para garantir a qualidade de vida nas cidades, devido os inúmeros benefícios que proporciona. Esta pesquisa teve como objetivo analisar a variação da temperatura e umidade relativa do ar em diferentes tipologias de florestas urbanas de Curitiba durante o verão e inverno. Para isso, foram selecionadas três áreas de cada tipologia de floresta urbana: Remanescente Florestal, Área Verde Antiga, Área Verde Moderna, Arborização de Rua e Árvore isolada. O microclima dessas áreas foi analisado por meio das variáveis temperatura e umidade relativa do ar, coletadas com registradores data logger modelo Hobo®, instalados em mini abrigos meteorológicos. O monitoramento das variáveis meteorológicas foi realizado simultaneamente em todas as áreas selecionadas, durante 48 horas, com tomada de dados contínuo em intervalos de 1 minuto, iniciando-se às 12h, nos meses de fevereiro e julho. Os resultados indicaram diferença estatística entre o remanescente florestal e as demais tipologias de floresta urbana, para ambas as variáveis e estações do ano. A temperatura média do ar no remanescente florestal foi menor do que nas demais áreas, enquanto a umidade relativa foi maior. Quando comparadas com o remanescente, a tipologia árvore isolada foi a que apresentou maior diferença de temperatura, registrando 1,22 °C a menos, seguida por arborização de rua (1,08°C), área verde antiga (0,98°C) e área verde moderna (0,68 °C). Conclui-se que as diferentes tipologias de floresta urbana apresentam microclimas distintos, sendo que o Remanescente Florestal é o que proporciona valores menores de temperatura e maiores de umidade relativa. Palavras-chave: Vegetação; temperatura do ar; umidade relativa do ar; verão; inverno. Abstract Microclimate analysis of different types of urban forest in Curitiba city. The vegetation is essential to ensure the quality of life in cities, due to the numerous benefits it provides, especially in climatic aspects. This study aimed to characterize the microclimate of the different types of urban forest existing in Curitiba, PR, in summer and winter. For this, three areas were selected for each type of urban forest: remaining forest, old green area, modern green area, street trees and single tree. The microclimate these areas was analyzed by varying temperature (° C) and relative humidity of air (%), collected by data logger Hobo® model, installed in mini-shelters for 48 hours, with continuous taken at intervals of 1 minutes, starting at 12h, in February and July. The results showed no statistical difference between the remaining forest and other types of urban forest, for both variables and seasons. The average air temperature in the remaining forest was lower than in other areas, while the relative humidity was higher. When compared with the remaining, to single tree was the typology that showed the largest temperature difference (1.22 °C), followed by street trees (1.08 °C), old green area (0.98 °C) and modern green area (0.68 °C). It is concluded that the different types of urban forest have different microclimates, and the remaining forest is what gives lower values of temperature and higher relative humidity. Keywords: Vegetation; air temperature; relative humidity; summer; winter. INTRODUÇÃO A relação equilibrada entre a natureza e a urbanização é amplamente aceita e inevitavelmente induz ao desejo da sociedade por árvores em ambientes urbanos (RASKOVIC; DECKER, 2015). Há indícios crescentes de que a exposição à natureza aumenta os recursos necessários para gerenciar as demandas e pressões da vida moderna, responsáveis por alguns dos problemas de saúde mais ameaçadores da atualidade (JIANG et al., 2014). Segundo esses autores, a criação de ambientes mais arborizados é uma forma eficaz de ajudar na redução do estresse da população, podendo reduzir muitas doenças que o acompanham, como doença cardiovascular, acidente vascular cerebral, depressão e asma.