AURORA ano II número 2 - JUNHO DE 2008 ISSN: 1982-8004 www.marilia.unesp.br/aurora 38 FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO: APONTAMENTOS PARA UMA “ANTI-SOCIOLOGIA DO TRABALHO” ERIKA BATISTA * Resumo: A globalização, ou mundialização, compreende o avanço da forma de sociabilidade capitalista pelo globo a partir de uma lógica produtiva universal, que combinada às particularidades regionais, compreende a transformação das relações sociais. Os variados métodos de gestão organizacional atuam como disciplinadores do trabalho e extrapolam a dinâmica do processo produtivo, assumindo caráter social. Fordismo, taylorismo e toyotismo são expressões particulares de um mesmo fenômeno: o controle do processo de trabalho pela dinâmica da acumulação. Nesta perspectiva, analisar tais fenômenos sob a ótica etapista ou sem observar as conexões entre processos de ruptura com continuidade, conduz à interpretações limitadas ou equivocadas que não consideram a essência social dos fenômenos, restringindo-os ao espaço produtivo. Daí a importância de um enfoque que considere a mundialização capitalista em consonância com as transformações das relações sociais de trabalho, entendidas como expressões históricas que se articulam dialeticamente. Palavras-chave: mundialização; organização do trabalho; fordismo; taylorismo; toyotismo. INTRODUÇÃO Diversos trabalhos consagrados nas ciências sociais apontam e analisam as transformações do referido “mundo do trabalho” a partir de suas caracterizações no espaço produtivo e suas reverberações no plano social. Contudo, são poucos os que o fazem a partir de uma perspectiva genuinamente dialética, que considere os diferentes momentos da organização do trabalho numa relação de ruptura e continuidade, e que por sua vez, constituem-se em transformações sociais, que extrapolam o “chão de fábrica” e alcançam todas as dimensões sociais. O objetivo maior deste texto não é abarcar todas as relações apontadas, e tampouco apontar as limitações ou incongruências dos estudos que trabalham sob uma perspectiva etapista, e sim, construir uma argumentação que priorize uma análise genuinamente dialética, que aponte as rupturas e continuidades entre as formas de organização do trabalho fordista, taylorista e toyotista, ressaltando seu caráter social. Considerando algumas interpretações “clássicas” no interior das ciências sociais, o objetivo específico é fornecer breves apontamentos para se pensar uma “anti-sociologia do trabalho”, no sentido de contrariar tais perspectivas que analisam o tema, especificamente quando tratam da tríade fordismo- taylorismo-toyotismo, por meio de um viés etapista. A orientação teórico-metodológica destes apontamentos compreendeu o materialismo histórico dialético, estabelecendo uma conexão entre