25 QUÍMICA NOVA NA ESCOLA N° 21, MAIO 2005 A velha vela em questão ▲ ▲ Recebido em 30/4/04; aceito em 11/3/05 E m pesquisa anterior, mapeamos algumas características de ati- vidades experimentais marcan- tes segundo estudantes de Química. Foram elas: a) a inserção da atividade experimental em um contexto mais amplo que o conteúdo disciplinar; b) a necessidade de superar visões em- piristas da experimentação, vista como simples possibilidade de teo- rização a partir da prática; c) a impor- tância do diálogo oral e escrito permeando a explicitação do conhe- cimento do grupo, a construção de argumentos e a vali- dação desses argu- mentos, contribuin- do para o enriqueci- mento das teorias dos participantes so- bre o fenômeno em estudo e d) a surpre- sa dos resultados como modo de con- frontar os diversos argumentos dados para justificar os re- sultados observados (Galiazzi e Gonçal- ves, 2004). Considerando essas característi- cas, temos planejado e desenvolvido, em cursos de graduação em Quími- ca, atividades experimentais em uma Maria do Carmo Galiazzi, Fábio Peres Gonçalves, Bianca H. Seyffert, Elisa Lotici Hennig e Juliana Carriconde Hernandes Neste artigo, propõe-se a realização de uma atividade experimental na perspectiva sociocultural, em que os experimentos são considerados ferramentas ou artefatos culturais para a apropriação do discurso químico pelos estudantes. A aula proposta é desenvolvida usando-se alguns artefatos culturais (o questionário, a tabela, os experimentos, o diálogo, a escrita, os textos teóricos) com o objetivo de problematizar os conhecimentos dos estudantes sobre o fenômeno da combustão. atividades experimentais, abordagem sociocultural, educar pela pesquisa, diálogo argumentativo abordagem sociocultural 1 e, neste texto, sugerimos uma das que desen- volvemos, sobre o tradicional experi- mento da vela. A proposta de atividade em aula As reações de combustão, embo- ra presentes na nossa vida, são pou- co compreendidas em seus aspectos químicos (Anderson, 1983 e 1990). Schnetzler et al. (2000) apontam al- gumas das dificuldades de compre- ensão desse fenômeno, entre as quais destacamos o não reconheci- mento do oxigênio como um dos rea- gentes, possivelmen- te por ser um gás invisível, aparente- mente sem massa, e o entendimento equi- vocado da combus- tão como uma carac- terística intrínseca de uma substância, não como uma reação entre um combustível e um comburente. De outra parte, em extensa bibliografia, inclusive nos livros didáticos, as causas da extinção de uma chama no experimento da vela têm sido atri- buídas ao término total do oxigênio e as razões para explicá-la continuam apresentando equívocos. Birk e Lawson (1999) apresenta- ram um conjunto de argumentos teó- ricos e empíricos sobre o conhecido experimento da vela, argumentando que, ao apagar a vela, o oxigênio não é consumido totalmente. O equacio- namento químico da combustão da vela e o relato do mesmo experimento em que um rato vivo foi colocado no mesmo recipiente da vela e perma- neceu vivo enquanto a chama da vela apagou são alguns dos aspectos elu- cidativos daquele trabalho. A ativi- dade que está sendo sugerida neste artigo foi desenvolvida especialmente a partir dos argumentos apresenta- dos por esses autores. O primeiro momento da atividade corresponde ao questionamento para a explicitação do conhecimento de cada um dos participantes do grupo. Para isso, sugerimos que a aula co- mece com a aplicação do questioná- rio inicial, a ser respondido individual- mente e por escrito. Questionário inicial para explicitação do conhecimento Suponha que um copo seja em- borcado sobre uma vela acesa fixada em um recipiente contendo água. A partir do que ocorre, responda as As reações de combustão são pouco compreendidas em seus aspectos químicos. Dificuldades de compreensão desse fenômeno são o não reconhecimento do oxigênio como um dos reagentes e o entendimento equivocado da combustão como uma característica intrínseca de uma substância, não como uma reação entre um combustível e um comburente