BRSGO Serra Dourada: Cultivar de Arroz para a Agricultura Familiar de Goiás 177 ISSN 1678-961X Dezembro, 2009 Santo Antônio de Goiás, GO Patrícia Guimarães Santos Melo 1 Orlando Peixoto de Morais 2 Jairton de Almeida Diniz 3 Valácia Lemes da Silva Lobo 4 Flávio Breseghello 5 Jaime Roberto Fonseca 6 Adriano Pereira de Castro 7 Priscila Zaczuk Bassinello 8 Emílio da Maia de Castro 9 Comunicado Técnico Introdução A sustentabilidade da cultura do arroz de terras altas em ambiente de pequenos produtores tem demandado cultivares com características compatíveis com uma agricultura com baixos investimentos em insumos. Em geral, cultivares com maior eficiência na utilização dos nutrientes do solo, maior vigor inicial, maior capacidade de competição com plantas daninhas e maior resistência a doenças são, nesse caso, preferidas. Em Goiás, por exemplo, cerca de 70% dos estabelecimentos rurais são caracterizados como de agricultura familiar, nos quais a produção de arroz de terras altas aparece entre as suas principais atividades (IBGE, 2006). Na safra 2007/2008, a área plantada com arroz de terras altas em Goiás foi de 94.340 hectares (EMBRAPA ARROZ E FEIJÃO, 2009), predominantemente por agricultores familiares. A situação diagnosticada junto ao ambiente de agricultura familiar em Goiás, à semelhança do que ocorre em várias outras regiões do país, caracteriza-se pela utilização de baixo nível de tecnologia, pequeno poder de comercialização e custos de produção elevados, tornando a agricultura familiar cada vez menos produtiva. Neste contexto, a Universidade Federal de Goiás (UFG), juntamente com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás (SEAGRO) e a Embrapa, implementam desde 2004 uma proposta de intervenção nas comunidades de pequenos produtores, desenvolvendo, validando e difundindo, de forma participativa, novas cultivares de arroz de terras altas, além de conhecimentos específicos, visando a sustentabilidade do cultivo do arroz como uma atividade econômica. A cultivar BRS Serra Dourada representa o primeiro resultado concreto dessa parceria. Metodologia O procedimento utilizado para obtenção da BRSGO Serra Dourada é conhecido como melhoramento participativo. Ele consiste em envolver os agricultores desde o início do processo, participando de todas as fases, principalmente durante o processo de seleção das linhagens. Assim, são obtidas cultivares adaptadas a ambientes específicos e com características que atendam à demanda dos agricultores, pois trabalham com toda a comunidade, pesquisadores de diversas áreas, extensionistas e associações de agricultores. Utiliza- 1 Engenheira agrônoma, Doutora em Genética e Melhoramento de Plantas, professora da Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, pgsantos@agro.ufg.br 2 Engenheiro agrônomo, Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO, peixoto@cnpaf.embrapa.br 3 Engenheiro agrônomo, Mestre em Fitotecnia, pesquisador da SEAGRO-GO, Goiânia, GO, jairton@seagro.go.gov.br 4 Engenheira agrônoma, Doutora em Fitopatologia, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO, valacia@cnpaf.embrapa.br 5 Engenheiro agrônomo, Ph.D. em Genética e Melhoramento de Plantas, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO, flavio@cnpaf.embrapa.br 6 Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia, pesquisador aposentado da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO 7 Engenheiro agrônomo, Doutor em Genética e Melhoramento do Arroz, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO, apcastro@cnpaf.embrapa.br 8 Engenheira agrônoma, Doutora em Ciência de Alimentos, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO, pzbassin@cnpaf.embrapa.br 9 Engenheiro agrônomo, Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas, pesquisador aposentado da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO