M AA TR TR AG AG A M AA TR TR AG AG A Artigo MM AA TR TR AG AG AA MM A A TR TR AG AG AA As “velhas assanhadas” de Hilda Hilst: uma análise de três textos pornográficos Rosana Letícia Pugina Doutora em estudos literários - Unesp/FCLAr https://orcid.org/0000-0003-0917-0922 professora-rosana@live.com RESUMO Hilda Hilst (1930-2004), a partir de 1990, quando publicou seu “adeus literário”, começou a dar gênese à sua erótica verba. Marcadas pelas baixezas das experiências humanas, as produções dessa fase compõem a tetralogia obscena e pornográfica da escritora paulista, a qual se encontra reunida na antologia Pornô Chic (2018a). Nessa coletânea, encontra-se também o texto teatral Berta & Isabô: um fragmento pornogeriátrico rural (2018b), o qual, apesar de não compor oficialmente a tetralogia, traz o tom burlesco típico dos escritos hilstianos. Além da obscenidade inerente às produções, outro traço aproxima algumas das obras da antolo- gia: a presença de “velhas assanhadas”. Elas aparecem no conto “Bestera”, parte de Cartas de um sedutor (2018c); no poema “A Chapéu”, pertencente à Bufólicas (2018d); e na peça citada (2018b). Em relação ao cor- pus, esses textos foram escolhidos porque trazem, através das figuras das anciãs, a representação do con- ceito de “erótica senil” (MORAES, 2015), bem como uma dissolução da convenção discursiva acerca da “ve- lha assanhada” (VISNADI, 2015), a qual foi construída secularmente na literatura. Como objetivos, busca-se compreender o protagonismo das velhinhas em contraste com o apagamento construído acerca da velhice feminina (BEAUVOIR, 1967), como também aproximar as obras do dispositivo pornográfico (MAINGUENEAU, 2010). Sobre a metodologia, é exploratória, qualitativa e bibliográfica. Ao final, espera-se confirmar que as quatro anciãs, em seus diálogos debochados, enfrentam a censura que fere as suas existências, sobretudo quanto ao exercício da sexualidade na velhice e ao silenciamento histórico das mulheres. PALAVRAS-CHAVE: Enquadramentos de gênero. “Velha assanhada”. Erótica senil. Hilda Hilst. “Velhas assanhadas” by Hilda Hilst: an analysis of three pornographic texts ABSTRACT From the 1990s, Hilda Hilst (1930-2004) began to conceive her erotica verba when she published her “lite- rary goodbye”. Marked by the baseness of human experiences, the productions of this phase constitute the writer’s obscene and pornographic tetralogy, which is gathered in the anthology Pornô Chic (2018a), as well as the drama Berta & Isabô: um fragmento pornogeriátrico rural (2018b) that, despite not being a fictional part of the tetralogy, brings the typical burlesque tone of Hilstian writings. In addition to this inherent obscenity, the presence of “velhas assanhadas” features in some of the works in the anthology. They appear in the short story “Bestera”, part of Cartas de um sedutor (2018c); in the poem “A Chapéu”, from Bufólicas (2018d); and in the cited piece (2018b). These texts were chosen for representing the concept of “senile erotic” through the figures of the elderly women, (MORAES, 2015), as well as a dissolution of the discursive convention about the “velha assanhada” (VISNADI, 2015), which has been constructed for centuries in the literature. We seek to understand the phonic constitution of old women in contrast to the pattern constructed about female old age (BEAUVOIR, 1967), as well as bringing the works closer to the pornographic device (MAINGUENEAU, 2010). Ao citar este artigo, referenciar como: PUGINA, Rosana Letícia. As “velhas assanhadas” de Hilda Hilst: uma análise de três textos pornográficos. Matraga, v. 29, n. 55, p. 171-183, jan./abr. 2022. DOI: 10.12957/matraga.2022.61265 Recebido em: 06/08/2021 Aceito em: 05/12/2021