ANÁLISE BIOMECÂNICA DA INFLUÊNCIA DA DISPLASIA DA ANCA NA LOCOMOÇÃO DO CÃO DA SERRA DA ESTRELA UM PROJECTO DE INVESTIGAÇÃO Cruz, C. * , R. Gabriel*, A. Mourão # , J. S. Costa § , V. Filipe*, J. Barroso ¤ e Ginja, M. * *- Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal; cmocruz@gmail.com ; rgabriel@utad.pt; vfilipe@utad.pt; mginja@utad.pt # - I.P.B., Instituto Politécnico de Bragança. Bragança, Portugal;, amourao@ipb.pt § - Quinta do Álamo, Apartado 29, Alpedrinha, Portugal; joao.silvino@iol.pt ¤- Grupo de Investigação em Engenharia do Conhecimento e Apoio à Investigação, Instituto Superior de Engenharia do Porto, Portugal; jbarroso @utad.pt PALAVRAS CHAVE: displasia da anca, Cão da Serra da Estrela, locomoção canina, ambladura, biomecânica, bem-estar animal RESUMO: Nos últimos anos, têm surgido diversos estudos abordando a cinemática de canídeos, a maioria dos quais investigando a influência de diferentes patologias na movimentação. Este trabalho tem como objectivo contribuir para a caracterização morfológica e biomecânica do Cão da Serra da Estrela, com particular incidência para a movimentação típica da raça e desvios induzidos pela ocorrência de lassidão articular e displasia da anca. Pretende-se que contribua para o desenvolvimento de metodologias específicas baseadas em parâmetros cinéticos e cinemáticos que auxiliem a detecção não-invasiva da lassidão articular e displasia da anca, não só na raça, mas também nos cães em geral, assim como na análise da eficácia do seu tratamento paliativo. Esta metodologia torna-se assim particularmente relevante no âmbito da saúde e bem-estar animal. 1 INTRODUÇÃO A Displasia da anca (DA) é uma doença hereditária que pode afectar a locomoção, podendo ser responsável por claudicação e perda de qualidade de vida dos animais afectados ou passar clinicamente desapercebida [1]. O diagnóstico definitivo desta patologia tem sido possível recorrendo a exame radiográfico. Para tal, recomenda-se a utilização de sedação ou anestesia geral, com a manipulação e riscos inerentes. Nos últimos anos, têm surgido diversos estudos abordando a cinemática de canídeos. Alguns têm incidido na análise do movimento em cães saudáveis [e.g. 2, 3, 4, 5], mas a maioria tem focado a cinemática de cães com problemas locomotores, nomeadamente associados a doenças e má qualidade de vida; vários têm abordado especificamente influência da DA [e.g. 6, 7, 8]. Nestes estudos têm sido detectadas diferenças de movimentação entre cães saudáveis e afectados, provavelmente associadas a compensação do desconforto ou alterações biomecânicas induzidas pela patologia. No entanto, são raros os estudos que têm abordado especificamente raças de grande porte, onde a incidência da DA tem efeitos mais graves. Adicionalmente, existe pouca padronização relativamente à caracterização do movimento do animal, sendo este descrito através da velocidade média nos ensaios ou da uma avaliação subjectiva por parte da equipa de investigação. Na investigação agora iniciada, recorre-se ao Cão da Serra da Estrela (CSE), raça portuguesa de grande porte, para a análise da influência da displasia da anca na locomoção