55 Revista Porto das Letras, Vol. 10, Nº 1. 2024 Heterogeneidades discursivas: múltiplos olhares DISCURSO INSTITUCIONAL E HOS(TI)PITALIDADE: A LÍNGUA DE (NÃO) ACOLHIMENTO EM MO(VI)MENTOS INSTITUTIONAL DISCOURSE AND HOS(TI)PITALITY: THE (NON) WELCOMING LANGUAGE IN MO(VE)MENTS Ângela Derlise Stübe 1 Universidade Federal da Fronteira Sul Mary Stela Surdi 2 Universidade Federal da Fronteira Sul Roselaine de Lima Cordeiro 3 Universidade Federal da Fronteira Sul Resumo: Neste artigo propomos gestos de interpretação acerca do discurso institucional para o acesso de sujeitos-estudantes haitianos à educação superior, com o objetivo de analisar a noção de hospitalidade pelo viés da desconstrução derridiana em uma perspectiva discursivo-desconstrutiva. A análise aponta para três mo(vi)mentos, os quais nomeamos como saber a língua para/e (demonstrar) saberes sobre, saber a língua e (demonstrar) saber sobre a língua e provar saber a língua, que mostram deslocamentos nos modos de hospitalidade ou hostilidade, em que a língua portuguesa é tomada como língua de (não) acolhimento. Nesses três mo(vi)mentos, observamos que há modificações na forma de ingresso que exigem cada vez mais que o candidato compreenda a língua portuguesa. Assim, ao mesmo tempo em que se procura receber o outro a partir da hospitalidade, também está presente o que Derrida chama de hos(ti)pitalidade, pois o sujeito-estudante haitiano precisará cumprir as exigências do processo seletivo em uma língua que não é a sua. Sobre isso, ao longo do trabalho, buscamos mostrar que a língua dita de acolhimento ainda é uma barreira tanto para o acesso quanto para a permanência desse estudante, mas também nos demais âmbitos da sociedade, pois essa é uma língua do dia adia do sujeito, necessária para a sua plena cidadania. Portanto, compreendemos que, para além do espaço acadêmico, é necessário cada vez mais atenção e ações voltadas a minimizar e vencer essa barreira, considerando nesse processo de acolhimento a voz e a língua do imigrante. Palavras-chave: Discurso institucional; hospitalidade; língua de acolhimento; imigrantes haitianos. 1Doutorado em Linguística Aplicada (UNICAMP), docente na Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Chapecó/SC, no curso de graduação em Letras e no Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL). E-mail: angelastube@gmail.com 2 Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL), na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e docente na área de Língua Portuguesa e Linguística na UFFS, campus Chapecó/SC. E- mail: stela@uffs.edu.br 3 Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL), na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). E-mail: roselainelcordeiro@gmail.com