Medicina (Ribeirão Preto) 2011;44(3): 241-8 ARTIGO ORIGINAL 1 Alunas de pós-graduação. 2 Técnicos de Laboratório. 3 Docente. Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. Centro de Medicina Legal (CEMEL) Correspondência: Prof. Dr. Marco Aurélio Guimarães. Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. CEMEL. Rua Tenente Catão Roxo no 2418, 14051-140, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Tel.: +55-16-36023360. E-mail: mag@fmrp.usp.br Artigo recebido em 05/11/2010 Aprovado para publicação em 12/08/2011 Antr Antr Antr Antr Antropolo opolo opolo opolo opologia f gia f gia f gia f gia for or or or orense no Centr ense no Centr ense no Centr ense no Centr ense no Centro de o de o de o de o de Medicina Le Medicina Le Medicina Le Medicina Le Medicina Legal da FMRP/USP al da FMRP/USP al da FMRP/USP al da FMRP/USP al da FMRP/USP, estudo estudo estudo estudo estudo compar compar compar compar comparati ti ti ti tivo de casos de 1999-2009 o de casos de 1999-2009 o de casos de 1999-2009 o de casos de 1999-2009 o de casos de 1999-2009 Forensic anthropology at Medico Legal Centre of the Faculty of Medi- cine of Ribeirão Preto/USP - comparative study of cases from 1999-2009 Raffaela A. Francisco 1 , Ana P. S. Velloso 1 , Tereza C. P. Silveira 2 , José M. Secchieri 2 , Marco A. Guimarães 3 RESUMO A Antropologia Forense é uma área de conhecimento que aplica os métodos da antropologia física e da arqueologia em um contexto legal. O Centro de Medicina Legal (CEMEL) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) possui um Laboratório de Antropologia Forense (LAF), criado em 2005, em um projeto de parceria com a University of Sheffield (UK) e financi- ado pelo British Foreign and Commonwealth Office Global Opportunities Fund. Como parte desse projeto, foi elaborado um protocolo para análise de ossadas com uma estrutura científica atualizada aplicável ao contexto social brasileiro. Inicialmente foram analisados os casos acumulados de 1999 a 2006, seguidos dos casos de 2007 a 2009. Este estudo revelou que a maioria das ossadas encami- nhadas ao CEMEL estavam incompletas, o que dificulta a obtenção de um perfil bioantropológico. Apesar disso, um aumento estatisticamente significativo foi detectado no número médio de ossos encaminhados no grupo de 2007-2009 (112,83) em comparação com o grupo de 1999-2006 (79,57). Além disso, foi detectado um declínio estatisticamente significativo na média de idade de 38,34 anos no grupo de 1999-2006 para 35,65 anos no grupo de 2007-2009, provavelmente associado a crimes violentos. A análise indicou que na maioria dos casos (57,14%), no grupo de 1999-2006, a lateralidade não poderia ser atribuída, enquanto que no grupo de 2007-2009 foi possível atribuir a lateralidade na maioria dos casos (85,72%), sendo que 57,15% eram destros e 28,57% canhotos. A melhora na atribui- ção pode ser explicada pelo aumento do número médio de ossos enviados por esqueleto. Para todos os outros parâmetros antropológicos analisados, não foram detectadas diferenças estatisticamente significativas. Esqueletos do sexo masculino, caucasianos e destros foram predominantes em ambos os grupos. A chance de identificar um indivíduo através do exame antropológico aumentou de 73,81% em 1999-2006 para 90,47% em 2007-2009. Estes resultados indicam uma melhoria na qualidade da coleta dos ossos no local de seu encontro, e subseqüente, um aumento da probabilidade de identifica- ção do individuo através da análise antropológica, cumprindo o papel científico e social do exame antropológico forense. Palavras-chave: Medicina Legal. Antropologia Forense. Identificação Humana. Esqueleto. Ossos.