DOMINGO [COM]VIDA NO PARQUE ITAIMBÉ Adriano da Silva Falcão 1 , Juliana Lamana Guma 2 , Marina de Alcântara 3 , Hamilton Binato Júnior 4 e Augusto Junges Ebling 5 O [com]VIDA é um projeto de extensão da Universidade Franciscana, localizada em Santa Maria - RS, formado por alunos e professores do curso de Arquitetura e Urbanismo. Com atividades que iniciaram em 2018, o projeto nasceu da ideia de dar vida e convidar a população a vivenciar o espaço urbano, reconhecendo nas suas potencialidades e fragilidades os questionamentos de como é possível viver melhor na cidade. Dentro dessa perspectiva e explorando intervenções que comecem e terminem no mesmo dia, os eventos denominados Domingo [com]VIDA trazem a proposta de ativação urbana nos fnais de semana em espaços públicos abertos. Em duas oportunidades a proposta já foi executada: uma na Praça Hermenegildo Gabbi, no Bairro Nossa Senhora do Rosário, em 2018, e outra em 2022 no Parque Itaimbé. Santa Maria é uma cidade média, localizada na região central do Rio Grande do Sul que, atualmente, busca se consolidar como referência em economia criativa, ofcializando em abril de 2022 a proposta de um Distrito Criativo na área do Centro Histórico, que inclui o Parque Itaimbé. A experiência do Domingo [com]VIDA no Parque Itaimbé foi a primeira ação aberta do projeto no local e é a que está compartilhada neste texto. O Parque Itaimbé ocupa o antigo leito do Arroio Itaimbé, hoje canalizado, cuja importância para a conformação urbana de Santa Maria pode ser percebida desde a sua suposta lenda de fundação. Em formato linear, o Parque Itaimbé tem área de 7ha e liga distintas áreas da cidade, tendo como limites extremos o parque de manobras da Estação Férrea de Santa Maria e a Avenida Nª Sª das Dores, local sede da antiga rodoviária da cidade. Nesse percurso o desenho é recortado por algumas vias importantes da então área central da cidade fazendo confrontações com ruas e edifcações lindeiras no percorrer de seu entorno e conformando 5 setores distintos. 1 Arquiteto e Urbanista. Doutorando em Desenvolvimento Regional 2020 (PPGDR/UNISC), Bolsista PROSUC/CAPES II, Mestre em Engenharia 2005 (NORIE/UFRGS) e Professor Assistente do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Franciscana desde 2003 (CAU/UFN). É membro do Núcleo Docente Estruturante e do Colegiado do Curso. É representante insitucional do Fórum Técnico do Instituto do Planejamento de Santa Maria (PMSM). Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Planejamento Urbano, Expansão Urbana, Habitação Popular e Projetos da Edifcação. 2 Arquiteta e Urbanista graduada pela Universidade Franciscana (UFN), Santa Maria –RS, especialista em Gestão Estratégica do Território Urbano pela Unisinos, Porto Alegre – RS e Mestre em Planejamento Urbano e Regional pelo PROPUR/ UFRGS. Docente no Curso de Arquitetura e Urbanismo na UFN desde 2015 e professora colaboradora no projeto de extensão universitária [com]VIDA. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Planejamento Urbano, Habitação Popular e Extensão Universitária. 3 Arquiteta e Urbanista, Mestre em Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Franciscana (UFN) na cidade de Santa Maria/RS. É coordenadora do Projeto de Extensão [com]VIDA na mesma Instituição. 4 Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Franciscana (UFN) e integrante voluntário no projeto de extensão [com]VIDA, da mesma instituição. 5 Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Franciscana (UFN) e integrante voluntário no projeto de extensão [com]VIDA, da mesma instituição. Atualmente, o parque encontra-se subutilizado pela população, com problemas signifcativos em sua infraestrutura e motivo de insegurança urbana. Assim, considerando o histórico apresentado, as fragilidades identifcadas nas inúmeras inserções do grupo de trabalho no parque e as aproximações informais junto aos frequentadores e moradores da área, a proposta do Distrito Criativo e, principalmente, a compreensão das potencialidades desse espaço urbano foi o que moveu o grupo do Projeto [com]VIDA a fxar suas ações neste território. Com base nas experimentações anteriormente desenvolvidas pelo projeto, a escolha pela realização do Domingo [com]VIDA no Parque Itaimbé, como o primeiro evento ofcial no parque teve como objetivo aproximar o público e os integrantes do projeto, ativando o território através do Urbanismo Tático. A metodologia para organização do evento pode ser dividida em quatro momentos principais: reconhecer, organizar, convidar e encontrar. No primeiro momento, os participantes do projeto investigaram o Parque Itaimbé, com o objetivo de reconhecer os frequentadores, os usos dos espaços, as fragilidades e as potencialidades da área. Após as visitas, na etapa de organização, defniu-se o objetivo principal de estimular memórias e histórias dos frequentadores, gerando conversas informais e afetivas, tendo como proposta a ideia de “conte uma história e ganhe um pedaço de bolo”. Com intenção de convidar as pessoas para a ação extensionista, foram defnidas duas formas de divulgação: através de visitas no Parque Itaimbé e por meio das redes sociais. A ação, que durou 3 horas, foi promovida na tarde do dia 24 de abril ocupando o Setor 3, na região do Parque Itaimbé que é popularmente conhecida como “Gramadão” (Figura 1). O lugar da intervenção foi escolhido por conta do grande fuxo de pessoas que permanecem no local durante o domingo, principalmente por ter um espaço verde signifcativo, onde as pessoas se reúnem em grupos para fazer piquenique e interagir. Como resultados dessa primeira ação no Parque Itaimbé foi possível observar que, apesar da carência de infraestrutura adequada, muitas pessoas frequentam o parque aos domingos. Foram mais de 80 pessoas que de alguma forma interagiram com os integrantes do projeto e relataram alguma memória, história ou informação sobre o parque (Figuras 2, 3, 4, 5 e 6). Ainda, a aproximação com esses diversos atores que frequentam o espaço ampliou a rede de contatos do projeto para a realização de uma segunda ação denominada Afetos, que pretende construir um registro da história oral dos moradores e frequentadores do parque e contribuir para a compreensão da evolução urbana do território de estudo através da compreensão da dinâmica urbana associada a história de vida das pessoas, reforçando as questões de pertencimento e identidade que se refetem diretamente no cuidado com o espaço. Referências UFBA. CARNEIRO, Laura B.; MAGALHÃES, Ângela Cristina M. de. Considerações acerca do urbanismo tático – possibilidades de conceituação e práticas, Salvador, 2017. Disponível em: https://urbba17.wixsite.com/urbba17/trabalhos-completos. Acesso em: 10 ago. 2021. TOCHETTO, Daniel. Santa Maria: uma história precursora do planejamento urbano no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Corag/CAU-RS, 2016. n.23, v.6 primavera de 2022 ISSN 2526-7310 483 n.23, v.6 primavera de 2022