REVISTA LUSÓFONA DE ESTUDOS CULTURAIS E COMUNICACIONAIS (VOLUME 6, NÚMERO 1) 1 EDITORIAL 2023: O ANO DE UM RECOMEÇAR 10.29073/naus.v6i1.877 Isabel Lousada , NOVA FCSH, Portugal, isabel.lousada@fcsh.unl.pt. Luísa Paolinelli , Universidade da Madeira, Portugal, marinho@staff.uma.pt. Vanda de Sousa , ESCS-IPL, Portugal, vsousa@escs.ipl.pt. Vanessa Cavalcan , Universidade Federal da Bahia, Brasil, vanessa.cavalcan@ua.br. Não há altura certa para recomeçar. Importa antes retomar o fio para connuar uma publicação que se revela de grande importância em vários domínios do conhecimento. O ano de 2023 trouxe consigo o repto para retomar um trabalho interrompido em 2020, em virtude de uma pandemia cujas consequências se fizeram senr até ao momento. É, pois, com grande sasfação que trazemos a público no corrente ano o volume 6.1. da NAUS: Revista Lusófona de Estudos Culturais e Comunicacionais, sendo que em simultâneo aparecerão os números respeitantes aos anos 2020, 2021 e 2022. Esta tarefa hercúlea só foi possível porque este recomeço encontrou eco na comunidade cienfica a que se dirige, tendo obdo colaboração, em rede, por parte de várias dezenas de autora(e)s e revisora(e)s pertencentes a disntas instuições académicas portuguesas e brasileiras. Tornar exequível este projecto exigiu o trabalho de uma direcção alargada composta por 4 editoras responsáveis, que se dedicaram a dar-lhe forma. Esta diversidade manifestar-se-á no editorial de cada um dos números sendo por todas assinados. Importa ainda lembrar a inesmável contribuição redactorial de Giuseppe Abate, por parte da Ponteditora, cuja disponibilidade foi decisiva, sendo de sobrelevar a firme decisão do editor Eduardo Leite e a confiança em nós depositada. Convocámos especialistas a fim de validar a qualidade dos argos oferecidos ao público. São a(o)s revisores cienficos o garante da exigência caracterísca de publicações desta natureza, sendo de sublinhar o carácter empenhado e voluntário deste meritório trabalho. Quanto ao conteúdo deste número podemos situá-lo na grande formulação Literatura e Sociedade. Para tal, valemo- nos de uma citação de Antonio Candido, na obra de tulo homónimo: “Nada mais importante para chamar a atenção sobre uma verdade do que exagerá-la. Mas também, nada mais perigoso, porque um dia vem a reação indispensável e a relega injustamente para a categoria do erro, até que se efectue a operação dicil de chegar a um ponto de vista objevo, sem desfigurá-la de um lado nem de outro. É o que tem ocorrido com o estudo da relação entre a obra e o seu condicionamento social, que a certa altura do século passado [séc XIX] chegou a ser vista como chave para compreendê-la, depois foi rebaixada como falha de visão — e talvez só agora comece a ser proposta nos devidos termos. Seria o caso de dizer, com ar de paradoxo, que estamos avaliando melhor o vínculo entre a obra e o ambiente, depois de termos chegado à conclusão de que a análise estéca precede considerações de outra ordem.” (p. 5) Cientes de que não devemos abdicar da perspecva histórica na análise da críca literária e do muito que se foi postulando até hoje sobre esse posicionamento, incluímos uma panóplia bastante alargada de argos e escolas de pensamento assentes na premissa de que a cultura subjaz e informa a literatura e a sociedade tal como as/os nossa(o)s autora(e)s, com abordagens diversas, no-la apresentam. O número é inaugurado por “Mayombe, o texto como espaço de reflexão e idealização da nação angolana”. Neste, a autora leva os leitores por uma análise da obra de Pepetela, explorando as intrincadas ligações entre a narrava ficcional e a História, ulizando referências de conhecidos estudiosos. É feita uma abordagem reflexiva sobre as