O estudo de caso de internacionalização de P&D
Dusan Schreiber
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Departamento de Administração, Universidade Feevale, Novo Hamburgo/RS, Brasil.
DETALHES DO ARTIGO RESUMO
Histórico do artigo:
Recebido em 22 de Maio de 2014
Aceito em 14 de Novembro de 2014
Disponível online em 30 de Abril de 2015
Sistema de revisão “Double Blind Review”
Editor-Científico: Felipe Mendes Borini
O processo decisório que resulta na realização de atividades de P&D
externamente à organização, seja em território nacional ou no exterior, envolve
uma série de variáveis que merecem uma análise mais detida no tocante a suas
especificidades. Esta necessidade decorre da importância que as atividades de
P&D vem assumindo, nos últimos anos, no universo organizacional, devido ao
potencial de constituição de diferencial competitivo. No entanto, seguindo a
lógica da racionalidade contida na teoria de custos de transação, evidenciada
pelo dilema “Fazer ou Comprar?”, as atividades de P&D também foram incluídas
no processo de avaliação da viabilidade e pertinência a serem realizadas
internamente ou externamente. Em muitos casos, a externalização ocorreu além
das fronteiras nacionais. Este artigo foi construído com o objetivo de analisar as
especificidades do processo decisório de três multinacionais, que externalizaram
as suas atividades de P&D para o Brasil. Espera-se, que desta forma seja possível
contribuir para o debate sobre as vantagens e benefícios do processo de
externalização destas atividades.
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Palavras-Chaves:
Internacionalização
Gestão da inovação
P&D
1. INTRODUÇÃO
A expansão de operações empresariais para
outros países não se constitui exatamente em um
fato recente, e nem de uma inovação. O que, no
entanto, pode ser considerado inovador é a
sistematização de conhecimentos que embasam o
conjunto de decisões que norteiam a escolha da
forma de internacionalizar as operações e a
organização destas operações em termos globais.
Com a presença assegurada no mercado nacional,
e a consolidação da etapa inicial de
internacionalização por meio de exportações, as
empresas perceberam a necessidade de estarem
presentes nos países de destino de suas exportações.
Dentre as opções de investimento direto no exterior,
destacaram-se: (i) construir uma planta fabril própria;
(ii) adquirir uma empresa local, com marca própria e
rede consolidada de clientes, fornecedores e
parceiros; (iii) associar-se a uma empresa local,
através da modalidade de joint-venture. Cada uma
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Contato do autor: Email: dusan@feevale.br
das alternativas apresenta vantagens e
desvantagens, além de implicar em diferentes
estratégias de atuação das unidades e formas de
relacionamento entre a matriz e subsidiária, formas
diferentes de gestão do conhecimento, de
capitalização, de compartilhamento de recursos e de
autonomia de gestão. A assimetria de informações
disponíveis sobre os mercados externos, evidencia a
importância da opção de “fazer ou comprar”,
dependente de custos e especificidades de recursos
humanos e materiais e do conjunto de riscos
inerentes à operação de investimento estrangeiro
direto, como riscos políticos e riscos tecnológicos.
No entanto, verifica-se nas duas últimas décadas
o surgimento de um novo foco no processo de
internacionalização, que consiste em externalizar as
atividades, consideradas até então, como centrais
para a operação organizacional – pesquisa e
desenvolvimento. Apesar de maior incidência nos
setores como desenvolvimento de software e
fármacos, esta tendência tem-se constatado também
Revista Eletrônica de
Negócios Internacionais
w
São Paulo, v.10, n. 1, p. 44-56, jan./abr. 2015 | e-ISSN: 1980-4865 | http://internext.espm.br
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