Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada Journal of Basic and Applied Pharmaceutical Sciences Rev Ciênc Farm Básica Apl., 2012;33(4):577-582 ISSN 1808-4532 Autor correspondente: Fátima de Cássia Oliveira Gomes - Departamento de Química - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais CEFET-MG - e-mail:fatimaog@icb.ufmg.br Avaliação da Qualidade de Saneantes Clandestinos comercializados em Belo Horizonte, Minas Gerais Vívian Louise Soares de Oliveira 1 ; Roberta de Matos Caetano 2 ; Fátima de Cássia Oliveira Gomes 1,* 1 Departamento de Química,Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, CEFET-MG. Amazonas 5252, Nova Suiça CEP 30421-169 2 Laboratório de Microbiologia do Serviço de Medicamentos, Saneantes e Cosméticos da Fundação Ezequiel Dias RESUMO Os saneantes representam uma variedade de agentes de limpeza, incluindo os desinfetantes. Os saneantes clandestinos não passam por nenhum tipo de avaliação quanto à eficácia e possíveis contaminações, portanto o consumidor não tem segurança ao utilizá-lo. Este trabalho teve por objetivo analisar amostras de saneantes clandestinos comercializadas quanto aos parâmetros de rotulagem, qualidade microbiológica e físico-química e a avaliação da eficácia. A contagem de micro-organismos e a pesquisa de patógenos foram determinadas conforme indicado na Farmacopéia Brasileira. A avaliação da eficácia das amostras foi realizada pela determinação da atividade antimicrobiana de produtos desinfetantes por meio da redução da carga microbiana frente a micro-organismos patogênicos. 91% das amostras apresentaram rótulos em desacordo com a Legislação. O teste de Capacidade Inibitória indicou que, para inibir possíveis contaminações, os saneantes clandestinos possuem maior quantidade de princípio ativo do que o indicado nos rótulos e do que o determinado pela Legislação. Além disso, nove amostras apresentaram como princípio ativo o formaldeído, conservante banido das formulações de desinfetantes. Nove amostras apresentaram contaminação por bactérias e/ou fungos. O teste de eficácia indicou que aproximadamente 50% das amostras não foram eficazes contra micro- organismos testados e que não houve redução da carga microbiana nos tempos testados. As amostras analisadas podem oferecer riscos aos consumidores e fabricantes, uma vez que os resultados indicaram que o processo de produção não segue as Boas Práticas de Fabricação, além de serem importantes para reafirmar as ações preventivas, na conscientização dos fabricantes e consumidores pela busca de produtos de qualidade. Palavras-Chave: Saneantes. Controle de qualidade. Contaminação. INTRODUÇÃO Os saneantes são substâncias ou preparações destinadas à higienização, desinfecção domiciliar, em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento de água (Brasil, 2007). Representam uma grande variedade de agentes de limpeza, incluindo desinfetantes definidos como “um agente químico ou físico que inativa micro-organismos vegetativos, mas não necessariamente esporos altamente resistentes (ISO, 2008). Esses produtos são muito comuns nas residências e em indústrias devido à facilidade de compra e de uso, além do odor agradável. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) alerta os consumidores quanto aos riscos do uso de saneantes clandestinos uma vez que esses produtos não são regulamentados e não passam por nenhum tipo de avaliação quanto à eficácia e possíveis contaminações, portanto o consumidor não tem segurança ao utilizá-lo. Além disso, a ANVISA destaca aspectos importantes relacionados à compra, informações obrigatórias nos rótulos, acondicionamento adequado e os procedimentos em caso de intoxicação com esses produtos (Brasil, 2003). Os saneantes de uso domésticos são muitas vezes, escolhidos pelo consumidor com base em critérios arbitrários e/ou subjetivos e, consequentemente empregados erroneamente. O controle da contaminação microbiana é um aspecto importante das Boas Práticas de Fabricação uma vez que a contaminação destes produtos pode comprometer a qualidade final do produto ou a segurança de uso, intimamente ligadas ao risco de infecções e proliferação de doenças. Com relação ao tipo de micro-organismo contaminante, verifica-se que os mais frequentemente encontrados como contaminantes de produtos são os patógenos oportunistas, principalmente Pseudomonas sp., Enterobacter sp., Serratia sp., Klebsiella sp., Escherichia coli, Proteus sp., Staphylococcus aureus, além das espécies de Alcaligenes, Flavobacterium, Acinetobacter,Serratia e Citrobacter (Bugno et al., 2003; Derfoufi et al., 2009; Pinto et al., 2010). Outra questão importante a ser considerada é em relação à perda da eficácia, uma vez que esses produtos na maioria das vezes são fabricados de forma caseira, não