OS ARQUIVOS JUDICIÁRIOS COMO FONTE DE PESQUISA Perspectivas multíplices sobre o parcelamento do solo urbano de Ribeirão Preto (1866-1900) GARCIA, VALÉRIA EUGÊNIA (1); BORTOLUCCI, MARIA ANGELA P. C. S. (2) 1. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Universidade de São Paulo. Instituto de Arquitetura e Urbanismo. Av. Trabalhador Sãocarlense, 400 - Centro 13566-590 - São Carlos - SP - Brasil valgarcia2003@gmail.com 2. Professora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Universidade de São Paulo. Instituto de Arquitetura e Urbanismo. Av. Trabalhador Sãocarlense, 400 - Centro 13566-590 - São Carlos - SP - Brasil mariacsb@sc.usp.br RESUMO Ribeirão Preto nas últimas décadas do século XIX vivenciou a pujança econômica do período cafeeiro e seus conseqüentes desdobramentos sobre a malha urbana da cidade. O discurso oficial determina um conjunto de ações higienistas, aprimora o poder de polícia das posturas municipais e inicia ainda que de forma tímida algumas obras de infra-estrutura viária. Contudo, a configuração e seqüentes transformações de uma ordem de poder, político e econômico, trazem consigo um caleidoscópio de perspectivas possíveis. Se o desenho espacial de uma dada sociedade e, mais especificamente suas transformações urbanas materializam a organização dos domínios e suas práticas, também a história – traçada por mãos amadoras, acadêmicas, da memória ou da imprensa – é lançada à empreitada de desvendar, ratificar, denunciar e infinitamente reconstruir sua escrita. Diante das possibilidades abertas para pesquisa no campo da História Nova, questionamos: Seria possível entender a constituição e a ampliação do tecido urbano como um processo de reprodução do capital durante, e antes até, do advento cafeeiro? Para além dos grandes discursos e suas seqüentes práticas de dominação, como as transações imobiliárias impactaram o cotidiano de seus moradores? Que tipos de disputas foram travadas tendo como cerne a propriedade de terrenos foreiros? Seriam esses terrenos, ditos foreiros, destituídos de valor comercial? Será que essas querelas de propriedade e posse urbana constituíram sujeitos entre atores ausentes das histórias oficiais? Em que medida é possível explorar as perspectivas desses sujeitos, então convertidos em proprietários urbanos? Seria possível “escutar” vozes temporalmente tão distantes, ausentes dos documentos da administração municipal e ignoradas pela imprensa mediada pelos discursos de poder? Esses questionamentos conduzem a pesquisa a refletir sobre métodos e fontes. No ano de 2004, o Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto (APHRP) recebeu uma massa documental valiosa para investigações determinadas a contemplar o