Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação 33º Encontro Anual da Compós, Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói - RJ. 23 a 26 de julho de 2024 . 1 www.compos.org.br A MISE-EN-SCÈNE ARTIFICIAL DE WES ANDERSON 1 THE ARTIFICIAL MISE-EM-SCÈNE OF WES ANDERSON Henrique Bolzan Quaioti 2 Resumo: Diversos acadêmicos que se dedicam a estudar a obra do diretor de cinema estadunidense Wes Anderson, definem sua obra como “artificial”. O grande problema científico de todas estas afirmações é que elas não definem o que querem dizer com “artificialidade”, termo que no campo da arte, e principalmente nos estudos de cinema, pode ter uma infinidade de significados. Pensando nas lacunas deixadas por esses trabalhos, o objetivo deste artigo é entender o que seria a artificialidade no cinema e entender como ela se relaciona com a mise-en-scène cinematográfica de Anderson. Como metodologia, reviso o que foi dito sobre a obra do diretor e utilizo a análise fílmica para classificar sua “mise-en-scène artificial”. Para essa classificação, baseio-me em cinco marcas fundamentais: 1) a composição planimétrica e a edição em ponto cardeal; 2) o “vazamento” do figurino no cenário; 3) a evidenciação do “fazer cinema”; 4) o resgate da cenografia artesanal; 5) o tableau-vivant. Palavras-Chave: Mise-en-scène. Wes Anderson. Artificial. Abstract: Several academics who dedicate themselves to studying the work of American film director Wes Anderson define his work as “artificial”. The main problem with all these statements is that they do not define what they mean by “artificiality”, a term that in the field of art, and especially in cinema studies, have an infinite number of meanings. Thinking about the gaps left by these works, this article aims to understand the definition of artificiality in cinema and understand how it relates to Anderson's cinematic mise-en-scène. As a methodology, I review what was said about the director's work and use film analysis to classify his “artificial mise -en-scène”. For this classification, I lay hold of five main features: 1) planimetric composition and compass-point editing; 2) the “bleeding” of the costumes into the setting; 3) highlighting “filmmaking”; 4) the rescue of a handmade set design; 5) the tableau- vivant. Keywords: Mise-en-scène. Wes Anderson. Artificial. 1. Introdução Numerosos críticos e acadêmicos que escreveram sobre a obra do diretor de cinema Wes Anderson tendem a descrevê-la como “artificial”. A obra do diretor é vista como “um espetáculo visual que cria um universo alternativo e artificial” (Kunze, 2014, p. 5), tendo uma 1 Trabalho apresentado ao Grupo de Estudos de Cinema, Fotografia e Audiovisual. 33º Encontro Anual da Compós, Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói - RJ. 23 a 26 de julho de 2024. 2 Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo (USP), hquaioti@gmail.com. https://proceedings.science/p/187204?lang=pt-br ISSN: 2236-4285