e PUC GO vvss Recebido: junho, 2019 | Aceito: novembro, 2020 | Publicado: novembro, 2020 Autor correspondente: gblanch@pucgoias.edu.br ISSN 1983-781X , Goiânia, v. 47, p. 1-12, 2020 Este artigo está licenciado com uma Licença Creative Commons. Atribuição Sem Derivações 4.0 CC BY-NC-ND. Desidratação em idosos: uma revisão narrativa Dehydration in the elderly: narrative review Sandra Lúcia Pazini 1 , Saulo Marques Júnior 1 , Graziela Torres Blanch 1 * 1. Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Escola de Ciências Médicas, Farmacêuticas e Biomédicas, Curso de Biomedicina. Avenida Uni- versitária, 1440 – Setor Universitário. CEP 74605-010 – Goiânia – GO Os autores Sandra Lúcia Pazini e Saulo Marques Júnior contribuíram igualmente para a realização deste trabalho. Resumo: devido à alta incidência de desidratação nos idosos e a consequente falta de um mecanismo de triagem reco- nhecida mundialmente para identificar quem está em risco de desidratação, esta revisão narrativa aborda a apresentação clínica da desidratação no idoso, quais os sinais e sintomas são mais confiáveis para fazer o diagnóstico. Adicionalmente identificamos quais estratégias estão sendo utilizadas para prevenir a desidratação nessa população. A revisão foi reali- zada nos meses de janeiro a março de 2018, por meio dos descritores: dehydration, elderly, clinical, nas bases de dados, Scielo, Pubmed e Biblioteca da Universidade de Coimbra. A amostra contemplou artigos publicados de 2014 a 2018. Os artigos selecionados apontaram diferentes instrumentos para prevenir a desidratação no idoso. Demonstraram que o diagnóstico clínico é difícil e os médicos cometem erros de diagnóstico em pelo menos um terço dos casos. Conclui-se que é preciso investir em educação em saúde, ensinando estratégias para os idosos a consumir líquidos suficientes e assim, evitar desfechos adversos e os custos em saúde. Palavras-chave: Desidratação. Idoso. Clínica. Abstract: due to the high incidence of dehydration in elderly and lack of a globally recognized screening mechanism to identify those at risk of dehydration, this narrative review addresses the clinical presentation of dehydration in the elderly, which signs and symptoms are most reliable to make diagnosis. Additionally, we identify which strategies are being used to prevent dehydration in this population. The review was carried out from january to march 2018, using the descriptors: dehydration, elderly, clinical, in the databases, Scielo, Pubmed and University Library of Coimbra. The sample included articles published from 2014 to 2018. The articles selected pointed out different instruments to prevent dehydration in the elderly. They have shown that clinical diagnosis is difficult and doctors make diagnostic errors in at least a third of cases. It is concluded that it is necessary to invest in health education, teaching strategies for the elderly to consume liquids and thus avoid adversaries and health costs. Keywords: Dehydration. Elderly. Clinical. DOI 10.18224/evs.v47i1.7413 Introdução A associação entre o envelhecimento e a desidrata- ção não é nova e foi reconhecida por diversos pensadores, dentre eles - Aristóteles que dizia: “Deve-se saber que os seres vivos são úmidos e quentes e a velhice é seca e fria”. Já Homero, comparou a velhice com um ramo de oliveira seco e Galeno por sua vez, via a perda de água corporal como uma característica importante do envelhecimento e constatou que a desidratação é de difícil diagnóstico, fato que ainda permanece verdadeiro atualmente 5,6 . O conceito exato da “desidratação” é difícil. Uma vez que o termo “desidratação” é mal definido e é usado para caracterizar muitos défices de água e soluto. Assim, a melhor definição encontrada foi a da NHS - National Health Service in England - Guidance Nu- trition and Hydration, que define desidratação como um declínio de água corporal, que causa sintomas ou disfunção de órgãos ou sistemas 8 . A população brasileira está envelhecendo, um reflexo do aumento da expectativa de vida devido as melhorias alcançadas pelo sistema de saúde. É estimado que em 2020, existam 32 milhões de idosos no Brasil. Sabe-se que os idosos estão em maior risco de desidra-