ethic@ Florianópolis v.2 n.2 p.219-231 Dez. 2003 Da Revisão do Conceito Discursivo de Verdade em Verdade e Justificação 1 Delamar José Volpato Dutra [UFSC/CNPQ 2 ] dutra@cfh.ufsc.br Abstract: The study shows some reviews that Habermas made in his discursive concept of truth. Such reviews intend to give a fair treatment to the semantic question, imposed by the thesis of an identical external world, unavailable and independent of linguistical aspects; which implies an uncomfortable mode of presentation broadly accepted as linguistically in the world. The most significant reviews are summarized in what Habermas calls weak naturalism and realism without representationism. This article also analyzes the role still played, in Wharheit und Rechtfertigung, of a non-communicative use of language, as well as, the distinction between consensus and understanding. The heart of the text consists in the presentation of his revised conception of pragmatic truth, which unites the epistemic and the discursive version of truth. Finally, it makes a comparative judgment between the claim of truth and the claim of normative correction. Key-words: Habermas - truth - naturalism - realism - understanding - consensus Mais de trinta anos depois de Conhecimento e interesse 3 [1968] Habermas publica Wahrheit und Rechtfertigung [1999], com importantes revisões em sua filosofia teórica, voltando a tratar de temas como verdade e objetividade, realidade e referência, validade e racionalidade, os quais ficaram relegados a um segundo plano na sua filosofia posterior. De fato, a pragmática universal da linguagem, desenvolvida a partir da década de setenta, não oferece um adequado tratamento da questão epistemológica e semântica. A pragmática universal se apóia sobre o conceito de entendimento [Verständgung], com um alto conteúdo normativo. Ela opera com pretensões de validade resolúveis discursivamente e com pressuposições pragmático-formais, remetendo a compreensão dos atos de fala às condições de sua aceitabilidade racional 4 . Portanto, o conceito-chave da pragmática universal não é a verdade, mas a validade, entendida num sentido epistêmico, ou seja, como aceitabilidade racional 5 . Esta virada lingüística no 1 HABERMAS, Jürgen. Wahrheit und Rechtfertigung: Philosophische Aufsätze. Frankfurt: Suhrkamp, 1999. Doravante, esta obra será abreviada por WR. 2 O presente trabalho foi realizado com o apoio do CNPq, uma entidade do Governo Brasileiro voltada ao desenvolvimento científico e tecnológico, através de uma bolsa de pós-doutorado na Columbia University, para o projeto A racionalidade da jurisdição na teoria do direito de Dworkin e sua recepção crítica na filosofia do direito de Habermas, no período de 09/2003-08/2004. 3 HABERMAS, J. Conhecimento e interesse. (Tradução de J. N. Heck: Erkenntnis und Interesse). Rio de Janeiro: Guanabara, 1987. 4 Cf. WR p. 7. 5 Cfr. WR p. 136.